Conjuntura Atividade económica na Zona Euro sobe inesperadamente em agosto

Atividade económica na Zona Euro sobe inesperadamente em agosto

O índice PMI da Zona Euro, que mede a atividade económica, subiu em agosto, apanhando de surpresa os analistas.
Atividade económica na Zona Euro sobe inesperadamente em agosto
Reuters
Tiago Varzim 22 de agosto de 2019 às 10:30

Nem todas as notícias (recentes) sobre a economia europeia são más. A atividade económica na Zona Euro recuperou em agosto, dando sinais de que, pelo menos, não está a deterior-se mais no seu conjunto. O mesmo indicador para a Alemanha também ficou acima das expectativas. 

O índice PMI compósito para a Zona Euro – que mede a evolução da atividade da indústria e dos serviços - subiu de 51,5 pontos em julho para 51,8 pontos em agosto, de acordo com os dados preliminares divulgados esta quinta-feira, 22 de agosto, pela consultora IHS Markit. Apesar dessa melhoria, não há uma aceleração clara do crescimento económico na Zona Euro. 

A surpresa pela positiva continua a estar no dinamismo dos serviços ao passo que a indústria se mantém condicionada pelas disrupções no comércio mundial, nomeadamente a disputa comercial entre os EUA e a China. Apesar disso, em França, a indústria voltou a crescer. Já na Alemanha continua a queda, com as encomendas a registarem a maior diminuição em mais de seis anos. 

"A falta de uma rápida recuperação face à recente desaceleração económica tem tido impacto na confiança das empresas com o sentimento em mínimos de mais de seis anos", refere Andrew Harker, diretor associado da IHS Markit, assinalando que o crescimento em cadeia no terceiro trimestre deverá ficar entre os 0,1% e os 0,2%.

No segundo trimestre, o PIB da Zona Euro cresceu 0,2% em cadeia, travando face ao crescimento registado no primeiro trimestre. Nesse período, a economia alemã, que é a maior da Zona Euro, chegou mesmo a contrair, fazendo soar os alarmes, enquanto a economia italiana estagnou.

Caso o PIB alemão volte a contrair no terceiro trimestre, a Alemanha entrará em recessão técnica (definida por dois trimestres consecutivos de contração). Para a IHS Markit, esse risco é real. 

De acordo com os dados da consultora, atualmente há mais empresas alemãs a esperarem uma queda do PIB do que um aumento nos próximos 12 meses. É a primeira vez que tal acontece desde 2014.


"Parece que as empresas estão prontas para um período continuado de fraqueza e em resultado disso estão a mostrar grande relutância em admitir mais pessoal", explica Andrew Harker.

Estes são mais dados que os governadores dos bancos centrais da Zona Euro, reunidos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), a 12 de setembro, terão de ter em conta quando decidirem os próximos passos da política monetária. Neste momento, há a expectativa de que haja uma resposta forte caso as projeções do BCE, que vão ser atualizadas nessa reunião, mostrem uma deterioração das perspetivas económicas.

Mas estes números, em particular os da Alemanha, também são uma chamada de alerta para o Governo alemão que já admitiu avançar com um plano de estímulos. Berlim poderá ter de atuar mais cedo do que esperava caso queira evitar uma recessão em território nacional, o que teria impactos significativos no conjunto da Zona Euro.




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