Conjuntura Atividade na Zona Euro melhorou em maio, mas não há razão para festejos

Atividade na Zona Euro melhorou em maio, mas não há razão para festejos

Apesar da ligeira revisão em alta, o PMI da Zona Euro continua a antever um crescimento do PIB de 0,2% do primeiro para o segundo trimestre, inferior ao registado no arranque do ano.
Atividade na Zona Euro melhorou em maio, mas não há razão para festejos
Bloomberg
Tiago Varzim 05 de junho de 2019 às 10:32
A atividade económica da Zona Euro registou um melhor desempenho em maio do que o esperado inicialmente, ainda que a melhoria tenha sido ligeira. Apesar disso, não parece haver razões para festejos: o PIB no segundo trimestre deverá crescer menos do que no primeiro trimestre, e a indústria continua a ser penalizada pelas tensões comerciais, o que não é compensado totalmente pelo dinamismo crescente dos serviços.

De acordo com os números revelados esta quarta-feira, 5 de junho, pela Markit Economics, o PMI compósito – que mede a atividade da indústria e dos serviços – fixou-se em 51,8 pontos em maio, ligeiramente acima dos 51,6 pontos da estimativa provisória e dos 51,5 pontos de abril.

Estes dados apontam para um crescimento em cadeia no segundo trimestre de 0,2%, abaixo dos 0,4% registados no primeiro trimestre. Contudo, é preciso esperar pelos dados de junho para ter uma aproximação do PIB mais fiel.

Quanto a países, Alemanha e França viram o crescimento ganhar alguma tração ao passo que Espanha, uma das grandes economias da Zona Euro que tem aguentado o fraco ambiente internacional, manteve o ritmo de crescimento. No campeonato dos "últimos" é mesmo Itália que se destaca: a economia italiana "está presa numa leve recessão". 

"O PMI final de maio para a Zona Euro foi mais alto do que a estimativa provisória, indicando o maior crescimento em três meses, mas o cenário global de fraco crescimento mantém-se e as perspetivas continuam pessimistas para o resto do ano", sintetiza o economista-chefe da consultora, Chris Williamson. O setor dos serviços até tem ganhado pujança, mas o setor industrial continua a ser penalizado pela disputa comercial. 

As novas encomendas cresceram pouco em maio, o que dá menos razões para ser otimista perante o futuro. "Há poucas perspetivas de melhoria no imediato", concretiza Williamson, assinalando que a procura não era tão baixa há seis anos. 

"O inquérito também trouxe mais sinais de que as empresas estão a ter de competir cada vez mais no preço para manter o crescimento das vendas, amortecendo as pressões inflacionistas", explica ainda o economista-chefe da Markit, o que está em linha com o que Eurostat revelou ontem - a inflação em maio caiu para mínimos de mais de um ano.

Estes são dados que o Banco Central Europeu (BCE) - cujo objetivo é que a inflação suba para perto de 2% - terá de digerir na próxima reunião de política monetária amanhã, 6 de junho, altura em que vai atualizar as projeções de crescimento para a Zona Euro. 

No primeiro trimestre, a economia europeia cresceu 0,4% em cadeia durante o primeiro trimestre de 2019, acima dos 0,2% do quarto trimestre de 2018. Em termos homólogos (face ao mesmo trimestre do ano passado), a evolução do PIB estabilizou nos 1,2% entre janeiro e março, o mesmo valor registado no trimestre anterior.



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