Conjuntura Banco de Portugal piora previsões para a economia este ano

Banco de Portugal piora previsões para a economia este ano

A instituição liderada por Carlos Costa actualizou as previsões. O banco central não espera uma melhoria no crescimento económico este ano. Novas projecções fragilizam números do Governo.
Banco de Portugal piora previsões para a economia este ano
Marta Moitinho Oliveira 30 de março de 2016 às 12:14
O Banco de Portugal cortou a previsão de crescimento da economia para este ano para 1,5%. A nova projecção é inferior à do Governo (1,8%) e, a concretizar-se, mostra que a economia não vai acelerar face a 2015.

A instituição liderada por Carlos Costa actualizou esta quarta-feira, 30 de Março, as previsões para a economia portuguesa na sequência do exercício de actualização feito pelo Banco Central Europeu para a zona euro.

A nova previsão mostra que, apesar das medidas de recuperação de rendimentos dos portugueses previstas no Orçamento do Estado para este ano - que entra amanhã em vigor -, o Banco de Portugal não acredita que elas façam diferença na hora de as famílias tomarem decisões sobre o consumo.

O banco prevê que o consumo privado cresça este ano 1,8%, quando em Dezembro - quando fez o último exercício de previsões que colocava a economia a crescer 1,7% - esperava um aumento de 2,7% no consumo privado. Nessa altura, o Orçamento ainda não era conhecido.

"Para 2016 antecipa-se um crescimento de 1,5%, semelhante ao registado em 2015, num quadro de deterioração do enquadramento internacional – não obstante a orientação acomodatícia da política monetária – de desaceleração do investimento empresarial e de resiliência do consumo privado corrente", justifica o Banco de Portugal.   

Isto significa que a justificar a a degradação da previsão de crescimento económico está não só a conjuntura externa, como o facto de as empresas se prepararem para desacelerar o investimento e as famílias resistirem a aumentar o consumo.

Estas previsões representam um balde de água fria nas expectativas do Governo de António Costa. No Orçamento, o Governo espera que o consumo privado suba 2,4%, enquanto o banco central espera um crescimento de apenas 1,8%. Quanto ao investimento (que aqui engloba o investimento público e privado), a equipa de Mário Centeno calculou um crescimento de 4,9%, mas o Banco de Portugal espera um aumento de apenas 0,7% (em forte desaceleração face a 2015, quando subiu 3,7%). No caso das exportações, o Banco de Portugal espera um crescimento de 2,2%, que compara com um aumento de 4,3%, previsto no Orçamento do Estado.

Mais: além das previsões para o crescimento económico serem piores do que o previsto em Dezembro pelo banco e do que o Governo de Costa prevê elas podem ainda ser piores. É que "os riscos identificados em torno da projecção para a actividade económica e para a inflação são globalmente descendentes", escreve o banco, que usou toda a informação disponível até 17 de Março (um dia depois da aprovação do Orçamento do Estado no Parlamento).

      

Fontes: INE e Banco de Portugal.

Notas: (p) – projectado, p.p. – pontos percentuais. Para cada agregado apresenta-se a projecção correspondente ao valor mais provável condicional ao conjunto de hipóteses consideradas.

(a) Os agregados da procura em termos líquidos de importações são obtidos deduzindo uma estimativa das importações necessárias para satisfazer cada componente. O cálculo dos conteúdos importados foi feito com base em informação relativa ao ano de 2005. Para mais informações, ver a Caixa "O papel da procura interna e das exportações para a evolução da actividade económica em Portugal", Boletim Económico de Junho de 2014.

(notícia actualizada às 13:00 com mais informação)



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