Conjuntura Bruxelas mantém previsões em 1,7%. Consumo e investimento seguram economia portuguesa

Bruxelas mantém previsões em 1,7%. Consumo e investimento seguram economia portuguesa

A Comissão Europeia revelou esta terça-feira as suas Previsões de Primavera. Face a fevereiro, as expectativas para Portugal mantêm-se inalteradas, com uma projeção de 1,7% para o crescimento do PIB este ano.
Bruxelas mantém previsões em 1,7%. Consumo e investimento seguram economia portuguesa
EPA
Margarida Peixoto 07 de maio de 2019 às 12:51
A Comissão Europeia manteve as previsões de crescimento para Portugal inalteradas, com uma projeção de 1,7% para o crescimento do PIB, tanto em 2019, como em 2020. Porém, nota que a economia portuguesa está a ser suportada sobretudo pelo consumo privado, com consequências para as contas externas do país. A avaliação consta das Previsões de Primavera, publicadas esta terça-feira, 7 de maio.

"A expansão económica deverá continuar a um ritmo moderado, apesar de uma contribuição mais fraca das exportações líquidas", antecipa a Comissão Europeia. O crescimento será possível "graças à força do consumo privado e do investimento", acrescentam os peritos de Bruxelas.

Tal como em fevereiro, a Comissão antecipa que o PIB cresça 1,7% este ano e 1,7% no próximo. Esta projeção é mais conservadora do que os 1,9% antecipados pelo ministro das Finanças português para os mesmos dois anos.

Para Bruxelas, o ritmo de crescimento das exportações vai abrandar ainda mais, dos 3,6% registados no ano passado, para 3,2%. Mas as importações, impulsionadas pelo consumo e ainda por algum crescimento do investimento, vão manter o ritmo de subida nos 4,9% até 2020.

As projeções apontam para uma subida de 2,3% do consumo privado este ano (em vez dos 2% que eram esperados no outono) e de 4,6% do investimento (uma décima abaixo da projeção anterior).

É o comportamento mais dinâmico das importações do que das vendas ao exterior que justifica um maior desequilíbrio das contas externas, com destaque para a balança de bens, que deverá registar um défice de 7% do PIB. Em fevereiro a Comissão não apresentou previsões para este indicador, mas comparando com os valores das Previsões de Outono, divulgadas em novembro, verifica-se alguma degradação nas contas externas.

No final do ano passado, a Comissão esperava que a balança de conta corrente ficasse equilibrada em 2018, registando um défice de apenas 0,1% este ano. Afinal, em 2019 as contas correntes entraram no vermelho, com um défice face ao exterior de 0,9% e este ano deverão sofrer um ligeiro agravamento, para 1% do PIB. Este indicador é relevante para avaliar o grau de dependência da economia portuguesa de financiamento externo.

Défice de 0,4% este ano por causa do Novo Banco

Sobre as contas públicas, a Comissão Europeia antecipa um défice um pouco acima da meta definida por Mário Centeno: em vez de 0,2% do PIB, está à espera de 0,4%. Mas nota que este resultado se fica a dever a um novo impacto da injeção de capital no Novo Banco, na ordem dos 0,6% do PIB. 

"O saldo orçamental sem medidas extraordinárias (maioritariamente um novo impacto negativo de 0,6% do PIB fruto do mecanismo de capital contingente do Novo Banco) deverá manter-se inalterado num excedente de 0,2% do PIB", lê-se no relatório.

Por outras palavras, este deverá ser o segundo ano consecutivo em que Portugal não apresenta um excedente orçamental por causa dos custos com o Novo Banco.

A projeção para a dívida mantém-se praticamente inalterada, em 119,5% para este ano e 116,6% no próximo.

Mercado de trabalho melhora, mas vai ser criado menos emprego

Sobre o mercado de trabalho, a Comissão frisa que o país atravessa o período com a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 16 anos. Sublinha também que a criação de emprego tem registado um ritmo acima do crescimento da economia. 

No entanto, será de esperar um abrandamento deste ritmo de crescimento este ano, à semelhança do que já aconteceu na segunda metade de 2018. Enquanto no outono a Comissão antecipava uma criação de emprego de 1,3% este ano, agora aponta para 1,1%.

Já a taxa de desemprego deverá recuar para 6,2%, caindo novamente em 2020 para 5,7%.

(Notícia em atualização)



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