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Bruxelas menos pessimista prevê recessão de 6,8% em Portugal

A Comissão Europeia vê o PIB português cair 6,8% este ano, uma projeção menos pessimista do que a do FMI de meados de abril. Em 2021, a economia deverá regressar ao crescimento, mas continuará abaixo do nível de 2019.

A equipa sob alçada de Dombrovskis e de Gentiloni ainda não contabilizou o impacto da covid-19 em Portugal.
Olivier Hoslet/EPA
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A Comissão Europeia antecipa uma recessão de 6,8% em Portugal, este ano, por causa da crise provocada pela pandemia de covid-19. A expectativa de Bruxelas não é tão negativa como a do FMI, apresentada há menos de um mês, mas corrobora a ideia de que no próximo ano, mesmo regressando ao crescimento, o PIB vai continuar abaixo dos níveis pré-crise. Os números constam das Previsões de Primavera, publicadas esta quarta-feira.

Os peritos da Comissão notam que a economia portuguesa estava a ter um bom desempenho até ao final de fevereiro, mas "a situação económica mudou dramaticamente em março, quando a pandemia de covid-19 chegou".

As medidas de confinamento, aplicadas por razão de saúde pública, afetaram muito negativamente setores fundamentais da economia portuguesa, como o turismo. Bruxelas sublinha que o facto de o país depender tanto deste setor (no ano passado representou 8,7% do PIB nacional) faz com que os riscos sejam agora no sentido descendente. A previsão aponta para uma quebra de 6,8% do PIB este ano, que será, ainda assim, menor do que a esperada para a média tanto da União Europeia (7,4%) como da zona euro (7,7%). Em 2021, a expectativa é o regresso ao crescimento, com o PIB a avançar 5,8%, uma projeção idêntica à do FMI para o próximo ano.

À exceção do consumo público, todos os outros componentes do PIB vão cair este ano. O investimento destaca-se, com um trambolhão de 8,6%, mas o consumo privado também vai recuar significativamente, na ordem dos 5,8%.

Com o turismo fortemente comprometido, e com regras de distanciamento social a afetar os serviços, a expectativa é que as exportações do país recuem a dois dígitos (14,1%). As importações também vão recuar, antevendo a Comissão uma quebra de 10,3%, devido à queda abrupta do investimento em equipamento e do consumo de bens duradouros. O resultado será um défice na balança corrente "relativamente pequeno", de 0,6% do PIB.

Já o mercado de trabalho, apesar das medidas de apoio e de contenção dos despedimentos, deverá degradar-se. A taxa de desemprego deve subir para 9,7% este ano, mantendo-se em 7,4% em 2021, acima dos valores conseguidos no ano passado.

Medidas de reação à crise custam 2,5% do PIB. Défice dispara para 6,5%

Segundo a Comissão Europeia, as medidas tomadas pelo Governo português para combater a crise deverão ter um custo orçamental na ordem dos 2,5% do PIB. Este impacto, juntamente com o efeito da crise na economia – menos receita pública de impostos e mais despesa com prestações sociais – deverá engolir o excedente orçamental de 0,2% do PIB que tinha sido conquistado em 2019, pela primeira vez na história da democracia, e fixar o défice em 6,5% do PIB.

A expectativa é, contudo, que em 2021 a recuperação económica e a progressiva retirada das medidas de apoio permitam reduzir o desequilíbrio orçamental para 1,8%.

No que diz respeito ao peso da dívida pública no PIB, Portugal continuará a ser o terceiro país da União Europeia com o rácio mais elevado. Este ano deve subir para 131,6% do PIB, descendo em 2021 para 124,4% do PIB, ainda consideravelmente acima do nível de 2019 (quando ficou em 117,7%.

Tanto no défice como na dívida pública, Bruxelas não é tão pessimista como o FMI. O Fundo antecipa um défice de 7,1% este ano e a dívida pública a disparar para 135% do PIB.

(Notícia atualizada às 11:34 com mais informação)

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