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Católica: Mudança na política orçamental compromete crescimento de 2%

Portugal terá crescido 1,5% no ano passado. Os economistas da Católica ainda mantêm a previsão de uma aceleração para 2% para 2016, mas vêem muitos riscos – a começar pela mudança de orientação da política orçamental.

Rodrigo Gatinho
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 20 de Janeiro de 2016 às 14:44
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A economia portuguesa terá crescido 1,5% no último trimestre do ano e no conjunto de 2015, estima o núcleo de estudos económicos da Universidade Católica, NECEP, que continua a manter inalterada a previsão de uma aceleração para 2% em 2016, embora saliente que se trata de um cálculo envolto em "grande incerteza" devido à "intenção de mudança de política orçamental face às recomendações das instituições internacionais especializadas".

 

O prosseguimento de "choques de preços favoráveis como aqueles a que a economia portuguesa foi sujeita ao longo de 2015, a que se poderia juntar a política acomodatícia do BCE, favorecem a continuação da recuperação" e, por isso, o NECEP "antecipa um crescimento próximo dos 2% em 2016 e dos 2,2% em 2017". Porém – prossegue a nota de conjuntura da Católica –"as previsões para 2016 estão envoltas num quadro elevado de incerteza decorrente da intenção de mudança de política orçamental face às recomendações das instituições internacionais especializadas".

"Se uma política orçamental expansionista poderia, em condições normais, ser favorável ao crescimento económico no curto prazo, o elevado nível de endividamento público pode dissipar este efeito caso a desconfiança dos investidores vier a aumentar os custos de financiamento da economia portuguesa", alertam os economistas da Católica.

A este risco endógeno juntam-se os externos, designadamente "os sinais de abrandamento em muitos países emergentes importantes" e os "receios face à sustentabilidade económica, social e política do modelo de desenvolvimento chinês em 2016, sendo a recente turbulência dos mercados um sinal dessa fragilidade". Segundo os economistas da Católica, as variáveis chave para avaliar a qualidade da recuperação da economia portuguesa em 2016 serão a "intensidade da recuperação do investimento e a continuação do crescimento saudável das exportações".

 

O cenário macroeconómico do PS, apresentado em Abril, apontava para que, fruto das suas medidas, o crescimento acelerasse para 2,4% em 2016, acima dos 2% previstos pelo anterior governo e dos 1,8% então estimados pela Comissão Europeia que, em Novembro último, baixou a sua previsão para 1,7%.

 

Quanto a 2015, o NECEP estima que a economia portuguesa tenha crescido 1,5% em termos homólogos e 0,5% em cadeia na recta final do ano, "retomando o ritmo de crescimento trimestral do primeiro semestre do ano passado após o interregno do Verão". Para o conjunto do ano, a previsão de crescimento é igualmente de 1,5%, bem aquém da previsão inicial do NECEP de 1,9%.

 

A confirmar-se, este ritmo de crescimento fica ligeiramente aquém do previsto pelo anterior governo, que começou por antecipar essa progressão do PIB no Orçamento do Estado tendo, a meio do ano, revisto esse valor em alta para 1,6% - número que coincide com a mais recente previsão do banco de Portugal.

 

"Portugal parece estar a atravessar uma fase de recuperação moderada mas aquém de outras economias mais dinâmicas da zona euro como é o caso de Espanha", escreve o NECEP, que estima ainda que a taxa de desemprego tenha aumentado para 12,5%, "em parte como resultado de efeitos sazonais".

 

"Um dos factores que parece estar a penalizar o crescimento real do produto a curto prazo é a forte aceleração das importações em 2015 que é, por seu turno, amplificada pela presença de deflatores negativos", refere a nota, salientado a evolução do preço do petróleo, que está a negociar em mínimos dos últimos 12 anos, e que terá acentuado "a discrepância entre crescimento real e o crescimento nominal, sendo este último já superior a 3%".
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