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Centeno sinaliza revisão em alta do PIB de 2020 no Programa de Estabilidade

Em reação aos números do PIB, o ministro das Finanças sinalizou que poderá rever em alta o PIB deste ano na atualização do Programa de Estabilidade em abril.

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Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt | Lusa 14 de Fevereiro de 2020 às 13:34
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O Governo poderá rever em alta a previsão do PIB para 2020 na atualização do Programa de Estabilidade em abril. Esse sinal foi dado por Mário Centeno, ministro das Finanças, na reação aos números divulgados esta sexta-feira, 14 de fevereiro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nas declarações transmitidas pela RTP3, o ministro das Finanças disse que a aceleração do quarto trimestre de 2019 é uma boa indicação de crescimento para 2020. "Esta é uma atualização positiva no sentido ascendente do crescimento e será certamente refletida nesses números [do Programa de Estabilidade]", afirmou numa conferência de imprensa a partir do Ministério das Finanças. 

Mário Centeno garantiu que vai "refletir toda a informação" que tem quando apresentar o cenário macroeconómico Programa de Estabilidade 2020-2024 em abril. Em causa está a aceleração da economia portuguesa no quarto trimestre com um crescimento em cadeia de 0,6% (0,4% no terceiro trimestre) e homólogo de 2,2% (1,9%).

Além disso, o INE revelou que o PIB português cresceu 2% no conjunto do ano passado. Este número representa uma desaceleração face ao crescimento de 2,4% em 2018, mas fica acima da previsão do Governo de 1,9%. Apenas o Banco de Portugal e a Comissão Europeia estimavam um crescimento de 2% em 2019. 

Para 2020, o Executivo prevê um crescimento de 1,9%, segundo o Orçamento do Estado para 2020. Contudo, os novos números do INE poderão levar o Governo a rever em alta esta previsão. No entanto, a atual estimativa já está acima das previsões das principais instituições internacionais: a OCDE prevê 1,8%, o CFP, a Comissão Europeia e o Banco de Portugal antecipam 1,7% e o FMI prevê 1,6%. 

A confiança de Mário Centeno poderá estar relacionado com o efeito de arrasto ("carry-over") que esta aceleração do quarto trimestre dá ao PIB. Esse arrastamento é a contribuição que o crescimento de um ano dá à atividade económica do ano seguinte. Como 2019 terminou a crescer acima da média anual, o efeito é positivo.

De acordo com as contas dos peritos do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), um crescimento de 0,5% no quarto trimestre daria um efeito positivo de aproximadamente 0,7%. Como o crescimento foi de 0,6%, o impacto positivo será ainda maior.

"É cedo" para saber se vai haver excedente mas há "confiança"
O ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, afirmou hoje que "é cedo para fazer declarações sobre o valor" do saldo orçamental de 2019, numa conferência de imprensa em que salientou a prestação da economia no último trimestre.

"É cedo para fazer declarações sobre o valor do saldo para além daquelas que estão na projeção do Orçamento do Estado [défice de 0,2% do PIB]. É público que a execução em dezembro correu bastante bem, mas temos de esperar pelo INE [Instituto Nacional de Estatística], que divulgará os números no final de março", disse Mário Centeno aos jornalistas no Ministério das Finanças em Lisboa.

O também presidente do Eurogrupo realçou, no entanto, o "comportamento positivo das contas públicas ao longo de 2019", algo que dá "alguma confiança sobre a execução orçamental do ano".
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