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Covid-19: Economia portuguesa contrai 10% e desemprego sobe para 10,4%, prevê Católica

Economistas da Católica desenharam cenários para os impactos da pandemia na economia portuguesa. Se a fase crítica durar apenas três meses, o PIB cai 10%. Se durar seis meses, economia contrai 20%. Desemprego subirá, nestes cenários, para 10,4% ou 13,5%, respetivamente.

Susana Paula susanapaula@negocios.pt 23 de Março de 2020 às 15:04
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A economia portuguesa pode recuar 10% e o desemprego subir para 10,4% este ano, caso a fase crítica da pandemia do novo coronavírus em Portugal dure três meses, estima o Núcleo de Estudos da Universidade Católica (NECEP).


Os economistas da Católica, liderados por João Borges de Assunção, divulgaram nesta segunda-feira, 23 de março, uma edição antecipada e extraordinária da habitual Folha Trimestral de Conjuntura, onde apresentam uma nova estimativa para a evolução da economia portuguesa para o conjunto de 2020, assumindo a "disrupção generalizada na economia mundial" causada pela doença covid-19.


Nesse sentido, o NECEP desenhou três cenários. No central, que assume que a fase crítica da pandemia dura em Portugal apenas três meses, a economia portuguesa recua 10% e o desemprego dispara para 10,4% em 2020. No cenário pessimista, em que os economistas admitem que o controlo da pandemia se prolonga por seis meses, a contração económica pode chegar aos 20% - e o desemprego alcançar 13,5%.

 

Uma coisa é certa: pelas contas do NECEP, mesmo num cenário otimista, em que a  fase crítica da pandemia não vai além de abril, a economia portuguesa vai sofrer uma contração forte, neste caso de 4%. Também o desemprego vai subir de qualquer forma, para 8,5%.


"Este último cenário toma, ainda, em consideração medidas adicionais e mais incisivas além daquelas já anunciadas pelo Governo. Qualquer um dos cenários corresponderá a um agravamento significativo do desemprego e em termos de perda do rendimento das famílias", lê-se na folha trimestral divulgada pelos economistas.

 

Recorde-se que a economia portuguesa cresceu 2,2% em 2019 e o Governo português desenhou o Orçamento do Estado para este ano (promulgado hoje pelo Presidente da República e que entra em vigor a 1 de abril) assumindo um crescimento do PIB de 1,9%. Este cenário, consideram, deixou de fazer sentido.

"Um colapso abrupto das economias desenvolvidas é agora o cenário mais plausível, se bem que subsista uma elevada incerteza sobre a dimensão e a duração da contração", afirma o NECEP.

Embora esta crise seja vista "tipicamente como temporária", os economistas da Católica admitem que "poderá ter efeitos duradouros no comportamento dos agentes económicos, acelerando a transformação digital e reduzindo a dependência das empresas face a mercados externos e a cadeias de valor globalizadas". "É que se está perante uma crise de caraterísticas ímpares, marcada por um duplo choque do lado da oferta e do lado da procura", afirmam.

 

Os economistas da Católica consideram que "os únicos setores da economia com alguma proteção de emprego e rendimento são as administrações públicas, as franjas da sociedade delas dependentes e os setores considerados estratégicos no abastecimento de bens e serviços essenciais e a sua logística".

Mas que mesmo esses setores "estão sujeitos a um risco de contração de atividade", já que parte da procura produzida pode vir a não ser vendida nem paga por dificuldades de tesouraria por parte dos seus clientes diretos, descrevem.

 

Por outro lado, admitem, as autoridades estatísticas podem vir a ter "dificuldades em calcular o crescimento económico" do primeiro e segundo trimestres do ano. "Como esta crise se abateu sobre Portugal apenas em meados de março, os dados do primeiro trimestre podem vir a transmitir, ainda, uma ideia de normalidade ou de uma quebra relativamente pequena face aos desenvolvimentos dramáticos dos últimos dias", considera o NECEP.

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