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Défice da zona euro agrava-se para 2,2% e dívida atinge 86,3% do PIB

A fatura das medidas de confinamento para controlar a pandemia de covid-19 já começou a chegar. No primeiro trimestre, os défices e as dívidas públicas dos países da moeda única já sofreram agravamento.

Reuters
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A pandemia de covid-19, e o confinamento que os países se viram forçados a impor à economia para controlar a crise sanitária, fizeram subir o défice orçamental da zona euro para 2,2% do PIB dos países da moeda única, logo no primeiro trimestre deste ano. Ao mesmo tempo, a dívida agravou-se para 86,3%. Os números foram revelados esta quarta-feira pelo Eurostat.

No conjunto da União Europeia, o movimento de degradação das contas foi idêntico, com o défice a subir para 2,3% do PIB e a dívida a aumentar para 79,5%.

"Este é um aumento acentuado", lê-se no reporte do Eurostat, referente aos défices orçamentais dos Estados-membros nos primeiros três meses deste ano, em comparação com o último trimestre de 2019. É o "défice mais elevado na zona euro desde o segundo trimestre de 2015", assinala ainda o organismo de estatísticas europeu.


No final de 2019, a zona euro registava um défice de apenas 0,7% do PIB, o mesmo que o conjunto mais alargado da União Europeia. 

Com a chegada das medidas de confinamento ao terreno, para conter a pandemia, vários Estados-membros ultrapassaram já o limite de 3% determinado pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento – um desequilíbrio que as regras europeias desta vez permitem, tendo sido acionada uma cláusula de salvaguarda para atender às circunstâncias excecionais.

Alemanha, Luxemburgo e Holanda ainda com excedentes

A situação das contas públicas é, ainda assim, bastante diversa entre os países. A Alemanha ainda manteve no primeiro trimestre um excedente orçamental de 1% do PIB, piorando apenas uma décima face ao final de 2019. A Holanda segurou também o superavit, nos 0,8% do PIB, mas baixou face aos anteriores 2,1% registados no quarto trimestre do ano passado. E o Luxemburgo ficou com as contas praticamente equilibradas, com um excedente de uma décima, menos 0,5 pontos percentuais do que no trimestre antecedente.

Todos os restantes países da União Europeia para os quais há dados registaram défices orçamentais. Portugal perdeu o excedente de 0,2% e registou um défice de 1,1%, tal como já tinha sido publicado pelo Instituto Nacional de Estatística. Malta destaca-se com a pior marca: um desequilíbrio de 8,5% do PIB, naquele que foi o seu primeiro défice trimestral pelo menos dos últimos dois anos. A Bélgica atingiu os 6% de défice, França chegou aos 4,8%. Entre outros Estados-membros, Espanha e Itália ainda não reportaram números.

Dívida pública já sobe mas o pior ainda não chegou

No que diz respeito à dívida pública, apesar de já ser visível um aumento face ao final de 2019, a subida ainda não se concretizou quando comparada com o trimestre homólogo. O Eurostat adianta que os impactos da pandemia e da crise económica só se deverão materializar de forma mais evidente no segundo trimestre deste ano.

Os países mais endividados mantêm-se a Grécia (176,7% do PIB), Itália (137,6%) e Portugal (120%), mas as maiores subidas no trimestre face ao final de 2019 foram registadas pela Bélgica, Finlândia e Eslovénia. Já face ao trimestre homólogo as maiores subidas foram da Finlândia, Roménia e França.


(Notícia atualizada às 11:28 com mais informação)

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