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Director do FMI critica dureza da própria instituição com Portugal

Críticas de "adjectivos" e "advérbios" a mais no relatório do FMI e elogios ao compromisso do actual Governo com reformas estruturais. O responsável? Carlo Cottarelli, um dos 24 directores do Fundo e representante de cinco países, entre os quais Portugal.

Jin Lee/Bloomberg
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 01 de Abril de 2016 às 17:33
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No final da terceira avaliação pós-programa do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal, Carlo Cottarelli defende muitos dos argumentos usados pelo Governo português e os esforços que foram feitos pelo Executivo anterior, ao mesmo tempo que critica algumas das conclusões a que chegam os técnicos do FMI.

 

"Sentimos que uma avaliação mais equilibrada – que realce não apenas os desafios que ainda existem, mas também alguns resultados importantes que foram conquistados no período mais recente – seria mais apropriado, especialmente no que diz respeito a perspectivas orçamentais e à política do Governo na área das reformas estruturais", pode ler-se na avaliação de Cottarelli ao relatório do FMI. "Uma avaliação mais equilibrada, utilizando menos adjectivos e advérbios, poderia também representar melhor as discussões políticas construtivas que tiveram lugar em Lisboa."

cotacao Uma avaliação mais equilibrada, utilizando menos adjectivos e advérbios, poderia também representar melhor as discussões políticas construtivas que tiveram lugar em Lisboa. Carlo Cottarelli Director do FMI

 

Quem é Carlo Cottarelli? É um dos 24 directores do FMI, responsável por representar no Conselho de Administração Albânia, Grécia, Itália, Malta, San Marino e, claro, Portugal. No seu historial há outros momentos de defesa dos esforços de Lisboa e de discordância com Washington. A sua reputação justificou até uma entrevista com o Negócios, em Junho do ano passado.

 

Veja aqui a entrevista do Negócios a Carlo Cottarelli:"É importante a missão do FMI reconhecer o progresso de Portugal".

 

Desta vez, as críticas parecem ser um pouco mais agressivas, como se observa pela referência a "adjectivos" e "advérbios". Cottarelli divide as suas observações em quatro capítulos: actividade económica, política orçamental, reformas estruturais e políticas para o sector financeiro.

 

"O Orçamento do Estado para 2016 traz uma política orçamental destinada a continuar o processo de ajustamento orçamental, ao mesmo tempo que estimula a recuperação do rendimento disponível das famílias, maior coesão social e crescimento económico sustentável", pode ler-se na avaliação do director do Fundo.

 
A segunda parte da entrevista do Negócios a Carlo Cottarelli: "O BCE está a ajudar muito, mas a política orçamental também".



Sobre política orçamental, Cottarelli nota que "mesmo com as mais pessimistas projecções dos técnicos [do FMI] para o défice de 2016, haveria uma melhoria" no saldo orçamental. "Deve ser sublinhado o sucesso da execução rigorosa do orçamento em Janeiro e Fevereiro de 2016", acrescenta.

 

Até quanto às reformas estruturais – uma das áreas em que o Governo PS é mais criticado pelo FMI pela reversão que fez das medidas do Executivo anterior – Cottarelli defende os argumentos do Governo português e diz que Portugal "está comprometido com reformas estruturais".

"As autoridades estão totalmente comprometidas em ultrapassar obstáculos estruturais que reduzem a produtividade e a competitividade da economia", escreve, referindo que não existe qualquer inversão nas leis do trabalho. "Contudo, em linha com as disposições no Memorando de Entendimento, bem como as exigências constitucionais, apenas medidas temporárias, como a sobretaxa de IRS e os cortes salariais na Função Pública estão a ser gradualmente invertidos."

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