Conjuntura Dívida de Portugal atinge 127,2% no final de Março e é terceira maior na Zona Euro

Dívida de Portugal atinge 127,2% no final de Março e é terceira maior na Zona Euro

A dívida pública nacional continuou a ser, no primeiro trimestre do ano, a terceira maior em toda a Zona Euro quando se olha para a dimensão da economia. Portugal tem uma das dívidas que mais cresceu tanto na comparação com o trimestre anterior como quando se observa o primeiro trimestre do ano passado.
Dívida de Portugal atinge 127,2% no final de Março e é terceira maior na Zona Euro
Bruno Simão/Negócio
Diogo Cavaleiro 22 de julho de 2013 às 10:38

Portugal mantém-se no pódio das maiores dívidas públicas da Zona Euro. A dívida nacional continua, igualmente, a subir bastante acima da média comunitária.

 

A dívida pública portuguesa representava, no final do primeiro trimestre deste ano, 127,2% do produto interno bruto (PIB) nacional, de acordo com os números divulgados esta segunda-feira, 22 de Julho, pelo gabinete de estatísticas europeu.

 

O programa português esperava que o rácio de dívida pública estivesse nos 115% do PIB este ano. Contudo, os números têm sido revistos e não são coincidentes entre os vários organismos que os calculam. A OCDE prevê que a dívida esteja acima de 128% do PIB nacional este ano, enquanto a troika antecipava, em Mario, um rácio de 124,3% do PIB.

 

O rácio de dívida face ao PIB aumentou 14,9 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre do ano passado, altura em que o indicador se encontrava em 112,3%. Na Zona Euro, o aumento foi de 4 pontos percentuais, com a dívida pública a representar, agora, 92,2% do PIB face aos 82,2% de há um ano.

 

No mesmo sentido evoluiu a dívida portuguesa no primeiro trimestre deste ano face aos últimos três meses de 2012. O rácio luso situava-se, nessa data, em 123,8%, o que aponta para um avanço de 3,5 pontos percentuais. A média comunitária passou por um agravamento na ordem dos 1,6 pontos percentuais.

 

Portugal tem vindo a destacar-se no que diz respeito à dimensão da sua dívida pública nos últimos anos. Aliás, o crescimento da dívida, numa altura em que a economia estava paralisada, levantou dúvidas entre os investidores, acabando por conduzir ao pedido de intervenção externa, em Abril de 2011.

 

Nos últimos dois anos, têm sido implementadas medidas de austeridade em Portugal cujo objectivo é o de reequilibrar as contas públicas nacionais. Contudo, no curto prazo, estas medidas têm efeitos recessivos, contribuindo para uma quebra da economia e um agravamento da dívida.

 

1) Grécia; 2) Itália; 3) Portugal

 

São os países que têm vindo a implementar medidas de austeridade, muitos no âmbito de processos de ajustamento definidos por resgates financeiros internacionais, aqueles que registam os maiores avanços da dívida face ao PIB. É o caso de Portugal, mas não só.

 

A maior dívida pública da Zona Euro é a da Grécia, o país que deu o pontapé de saída da crise da dívida na região. A dívida helénica equivale a 160,5% da sua economia. O segundo lugar é ocupado por Itália, cuja dívida pública corresponde a 130,3% do PIB. Portugal aparece em terceiro lugar, com o rácio de 127,2%, logo seguido pela Irlanda, cujo rácio de dívida está nos 125,1%. Além destes, só a Bélgica apresenta, com 104,5%, um rácio de dívida superior à média comunitária (92,2%).

 

No sentido contrário destaca-se, no seio da Zona Euro, o Luxemburgo, com uma dívida de 22,4% da economia. A Alemanha apresenta uma dívida de 81,2% da sua economia. 

 

Irlanda destaca-se nos agravamentos

 

De acordo com o Eurostat, a dívida grega é a mais elevada no primeiro trimestre deste ano e é, também, aquela que registou o maior agravamento em comparação com o período homólogo (24,1 pontos percentuais), seguida da Irlanda (18,3 pontos percentuais).

 

É a Irlanda que apresenta o maior aumento em relação ao último trimestre do ano passado, de 7,7 pontos percentuais. A segunda maior subida do indicador dívida/PIB foi protagonizada pela Bélgica, na ordem dos 4,7 pontos percentuais.

 

Neste sentido, a Irlanda tem agora um rácio de dívida face ao PIB próximo do português (125,1% em relação com 127,2%).

 

 

(Notícia actualizada às 11h02 com mais informações; actualizada às 11h21 com novo terceiro parágrafo)

  




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