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Economia portuguesa cresce 0,2% no terceiro trimestre

Economia portuguesa cresce pelo segundo trimestre consecutivo, em linha com o esperado pelos economistas. Em termos homólogos o PIB recuou 1%, a quebra menos intensa desde o segundo trimestre de 2011.

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O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou esta quinta-feira, 14 de Novembro, que o produto interno bruto nacional (PIB) avançou 0,2%, no terceiro trimestre de 2013, quando comparado com os três meses anteriores. Esta expansão segue-se a um crescimento de 1,1% no segundo trimestre e fica em linha com as previsões do mercado.

 

A 15 de Agosto, o INE revelou que no período entre Abril e Junho de 2013 a economia portuguesa cresceu 1,1%, sendo este o primeiro trimestre em que se verificou um crescimento em cadeia da economia portuguesa depois de 10 trimestres seguidos a recuar.

 

Em termos homólogos a economia portuguesa continua em contracção, embora menos acentuada. O PIB português recuou 1% no terceiro trimestre deste ano, contra o mesmo período do ano passado, o que traduz a quebra menos acentuada desde o segundo trimestre de 2011. No segundo trimestre de 2013 o PIB recuou 2%, sendo que este valor foi hoje revisto em alta, pois antes o INE tinha reportado uma queda de 2,1%. 

 

Os economistas esperavam um crescimento em cadeia entre os 0,2% e os 0,5%, e uma contracção homóloga entre os 0,8% e os 1,1%.

 

A previsão mais pessimista foi realizada pelo BBVA Research, que aguardava uma expansão de 0,2% face ao trimestre anterior e uma queda de 1,1% em termos homólogos.

 

Já o BPI antecipava um segundo trimestre consecutivo de crescimento (0,3%), mas uma evolução homóloga negativa (-1%). As estimativas mais optimistas eram as do Núcleo de Estudos da Católica e do Montepio: ambas apontavam para um crescimento em cadeia de 0,5% e para uma contracção homóloga de 0,8%.

 

No relatório da oitava e nona avaliações do programa de ajustamento português, divulgado esta quarta-feira, 13 de Novembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou que existem sinais de que "a actividade económica chegou ao ponto mais baixo", lembrando o crescimento em cadeia de 1,1% do PIB no segundo trimestre, quando se esperava uma queda de 0,1%. 

 

Menor quebra no consumo das famílias explica melhoria

 

O comunicado divulgado esta quinta-feira pelo INE mostra a estimativa rápida das contas nacionais no terceiro terceiro trimestre, pelos que as componentes do PIB não são conhecidas.

 

Ainda a assim o INE dá conta dos principais factores que justificam a trajectória positiva da economia portuguesa no terceiro trimestre (segundo trimestre de crescimento em cadeia em queda homóloga menos negativa).

 

"A procura interna apresentou um contributo menos negativo para a variação homóloga do PIB, devido sobretudo à diminuição menos acentuada das Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes", refere o INE.

 

O consumo privado tem vindo a registar taxas de quebra cada vez menos intensas ao longo dos últimos trimestres, de acordo com os indicadores de conjuntura recentes divulgados pelo Banco de Portugal e INE.

 

A economia portuguesa tem sido impulsionada pelo crescimento das exportações, mas no terceiro trimestre o "contributo da procura externa líquida diminuiu, reflectindo principalmente a aceleração das Importações de Bens e Serviços", salienta o INE.

 

O crescimento mais forte no segundo trimestre – 1,1% em cadeia, o melhor registo entre todos os países do euro – foi resultado da melhoria efectiva da economia, mas também de um conjunto de factores, como o efeito calendário e o fraco primeiro trimestre do ano.

 

O INE explicou, a 6 de Setembro, que o consumo privado e o investimento, a par com as exportações foram os grandes impulsionadores do PIB português no segundo trimestre do ano. "A aceleração das exportações de bens foi influenciada pelo efeito de calendário relativo ao período da Páscoa (celebrada, em 2012, em Abril e, em 2013, em Março)", explicou, na altura, o INE.

 

Mesmo que a economia portuguesa continue a apresentar crescimentos em cadeia positivos no quarto trimestre, a variação do PIB no conjunto de 2013 será sempre negativa. A previsão do Governo aponta para um recuo de 1,8%. 

 

Os resultados correntes das Contas Nacionais Trimestrais do terceiro trimestre de 2013 serão divulgados no próximo dia 9 de Dezembro de 2013

 

 

Recessão técnica vs recessão

A definição clássica de recessão técnica diz que para uma economia entrar em recessão bastam dois trimestres consecutivos de queda em cadeia (variação entre trimestres) no PIB. Foi nesta situação que a economia portuguesa entrou no início de 2011 e na qual se manteve até ao arranque deste ano. Para interromper o ciclo de recessão técnica basta ocorrer um trimestre de crescimento positivo. Foi o que aconteceu no segundo trimestre deste ano, período em que a economia cresceu 1,1% em cadeia (face aos três meses anteriores). A evolução do PIB no terceiro trimestre (crescimento em cadeia de 0,2%) só vem reforçar esta tendência, mas a saída oficial de Portugal de recessão técnica verificou-se no segundo trimestre.

 

Este conceito de recessão técnica é muitas vezes desvalorizado pelos economistas, pois muitas vezes não traduz de forma efectiva a actual situação de uma economia.

 

É por isso que para decretar o fim de uma recessão é preciso muito mais do que um (ou mesmo mais) trimestres consecutivos de crescimento do PIB em cadeia. Neste caso as opiniões divergem, mas parece certo que é nesta altura muito cedo para decretar o fim da recessão da economia portuguesa. Sobretudo porque as variações homólogas do PIB continuam a ser negativas (-1% no terceiro trimestre).

 

Uma das definições de recessão mais utilizadas é a do NBER, instituto norte-americano responsável por decretar o início e fim das recessões na economia norte-americana. Diz o National Bureau of Economic Research (NBER) que a economia entra em recessão quando ocorre uma queda significativa na actividade económica durante um período sustentado, analisando os seguintes factores: produto interno bruto, emprego, produção industrial, vendas e rendimentos. E sai da recessão quando estes indicadores apresentam uma evolução positiva.

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