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Empresas preveem corte de 8,9% no investimento este ano

Em vez de crescer, o investimento empresarial deverá cair 8,9%, em termos nominais. Indústria transformadora, comércio e reparação de veículos destacam-se como os setores com maiores quebras previstas.

As ajudas estão, para já, concentradas nas empresas, por forma a manter o emprego.
Tiago Sousa Dias
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As empresas já não esperam aumentar o investimento este ano. Antes pelo contrário: agora preveem um corte de 8,9% face ao investimento realizado em 2019. Os dados foram publicados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e revelam o impacto da pandemia de covid-19.

O inquérito foi feito entre 1 de abril e 25 de junho, pelo que já reflete efeitos da crise económica, mas pode ainda não dar conta do impacto total. O INE explica que 51% das respostas foram dadas durante o mês de abril, um dos meses mais rigorosos da suspensão da atividade em Portugal, como medida de saúde pública, mas um momento em que as empresas podiam ainda não ter revisto os seus planos, explica o organismo de estatísticas.

Ainda assim, as respostas dos empresários mostram uma mudança abrupta das intenções de investimento: no inquérito anterior, esperavam para este ano uma subida de 3,6% mas, face às circunstâncias, as suas intenções mudaram. Os principais fatores limitativos do investimento são a deterioração das perspetivas de vendas e outros fatores limitativos, não discriminados.

Os dados mostram que as empresas com menor número de pessoal ao serviço foram as que deram o maior contributo para as expectativas de contração do investimento. Só as empresas do quarto escalão, que têm 500 trabalhadores ou mais, mantiveram uma perspetiva de crescimento do investimento, na ordem dos 7,8%. As restantes empresas, com menor número de pessoas ao serviço, deram contributos negativos, sendo que as do primeiro escalão (menos de 50 trabalhadores) antecipam uma quebra de 29,5% dos seus planos de investimento.

Indústria, comércio e reparação de veículos mais negativas

A indústria transformadora foi o setor de atividade que deu o maior contributo para a queda das perspetivas de investimento. O INE dá conta de uma contração de 21,5%, com um contributo negativo de seis pontos percentuais para a variação total das perspetivas de investimento. No comércio por grosso e a retalho e reparação de veículos a quebra é de 18,2%, com um contributo negativo de três pontos percentuais.

A grande maioria dos setores de atividade apresenta variações negativas. Só as atividades imobiliárias, as financeiras e de seguros, o tratamento de águas, saneamento e gestão de resíduos e as atividades de informação e comunicação têm perspetivas positivas.

Os dados do INE dão ainda conta de uma revisão em alta do investimento empresarial total em 2019: em vez de 3,8%, o investimento cresceu 4,3% no ano passado, em termos nominais.

(Notícia atualizada às 11:44 com mais informação)
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