Conjuntura Exportações para Angola estão a cair 44% desde o início do ano

Exportações para Angola estão a cair 44% desde o início do ano

A venda de bens para Angola sofreu uma queda profunda em Fevereiro, mas em Janeiro a contracção já tinha sido semelhante. Num só ano, Angola passa de quarto para sexto principal cliente de Portugal.
Exportações para Angola estão a cair 44% desde o início do ano
Reuters
Nuno Aguiar 08 de abril de 2016 às 12:32

Nos dois primeiros meses de 2016, as exportações de mercadorias para Angola estão a afundar 44% face ao mesmo período de 2015, tendo caído de quase 340 milhões de euros para menos 190 milhões. Por trás desta forte quebra está o facto de o petróleo manter um preço muito baixo nos mercados internacionais, o que está a limitar a capacidade de compra das empresas e do Estado angolano. Isso traduz-se em menos vendas para Portugal.

 

Esta variação é ainda mais impressionante se recuarmos mais um ano. Em 2014, Portugal vendou a Angola perto de 482 milhões em Janeiro e Fevereiro. Os valores alcançados nesses meses em 2016 revelam uma contracção de mais de 60% em dois anos.  

 

Se este ritmo continuar, Angola perderá ainda mais peso no comércio internacional das empresas portuguesas. Na totalidade de 2015, já passou de quarto principal cliente para sexto. Os números deste arranque de ano mostram que poderá em breve ficar perto de sair do top 10. "Angola desceu de 4º principal cliente externo de Portugal em 2014 para 6º em 2015 (peso de 4,2%, menos 2,4 pontos percentuais face a 2014), tendo sido superada pelo Reino Unido e Estados Unidos", pode ler-se na publicação do Instituto Nacional de Estatística desta sexta-feira.

Nos dois primeiros meses de 2016, a diminuição das vendas sente-se em todas as grandes categorias de produtos, com quedas sempre superiores a 38%. Mas as mais relevantes ocorreram nas máquinas, fornecimentos industriais e bens de não consumo.

 

Não são apenas as vendas que estão a cair. As compras também. As importações para Angola diminuíram 6% nos primeiros dois meses do ano. Um valor que até é simpático, quando comparado com as contracções de 28,9% e 39% que se registaram nos 12 meses de 2015 e 2014, respectivamente, depois de anos de crescimento.

Em 2015, a compra de combustíveis a Angola caiu 30%. Ainda assim, continuam a representar 99% das importações portuguesas desse país.

 

"Esta evolução resultou na descida de Angola de sétimo principal fornecedor de bens a Portugal em 2014, para nono em 2015 (peso de 1,9%, menos 0,8 pontos percentuais face a 2014). A China passou a ser o principal país extra-UE fornecedor de bens a Portugal (sétimo na globalidade dos países)", escreve o INE.

 

Isto é, seja via exportações ou importações, o que se assiste é a uma degradação das relações comerciais bilaterais entre Lisboa e Luanda. No centro desta evolução está o colapso do preço do petróleo. Nas compras, isso reflecte-se no facto de Portugal pagar menos a Angola pelo crude que lhe compra (menos importações). O impacto chega às vendas, devido a uma maior fragilidade das empresas e do sector público angolano, abalados pela diminuição das receitas da venda de petróleo. Menos receitas, e a consequente crise a que se assiste na economia angolana, traduzem-se em menos compras ao exterior.




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