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Financial Times diz que Portugal é acusado de afastar investidores estrangeiros

O Novo Banco, as reversões nas concessões nos transportes e a alteração da privatização da TAP levam o FT a escrever que Portugal está sob pressão por tomar medidas que podem pôr em causa o investimento internacional.

Erid Vidal/Reuters
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 15 de Janeiro de 2016 às 12:21
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Portugal voltou a aparecer no Financial Times. "Portugal acusado de provocar investidores estrangeiros". Novo Banco, TAP e subconcessões de transportes são os exemplos avançados no artigo publicado pela publicação britânica.

 

Começando pelo Novo Banco, a contestação à decisão do Banco de Portugal de transmitir 1.985 milhões de euros de dívida do Novo Banco para o BES, afectando a igualdade de tratamento entre detentores de dívida sénior, tem tido lugar nos grandes órgãos de comunicação internacionais.

 

Devido à recapitalização da instituição financeira liderada por Eduardo Stock da Cunha, a Pimco, uma das maiores gestoras de activos do mundo, já comparou Portugal à Venezuela, acusando o país de confisco e prometendo contestação judicial. Tem sido uma voz activa e, aliás, um dia depois de pedir uma posição ao Banco Central Europeu, Frankfurt reagiu, remetendo responsabilidades pela decisão para o Banco de Portugal. O Governo português também recusou qualquer intervenção, deixando o governador Carlos Costa isolado na defesa da decisão que visava a recapitalização do banco e através das quais queria apenas afectar grandes investidores como fundos e bancos (ainda que haja particulares, também, com esta dívida nas mãos).

 

O FT relembra a afirmação de Pedro Passos Coelho à Renascença, em que comentou que as acções do Governo de Costa minam "a confiança dos investidores externos", culpando António Costa pelos problemas na TAP mas também no Novo Banco. Contudo, em relação a este último, o líder social-democrata sempre defendeu que os governos não podiam ser responsabilizados por resoluções bancárias, já que são sempre decisões da autoridade de resolução, que era, até ao final do ano, o Banco de Portugal.

A conciliação "impossível"

 

A TAP merece destaque na notícia do FT, apesar das indicações de que há uma aproximação entre o Executivo e o consórcio formado por David Neeleman e Humberto Pedrosa. António Costa quer a maioria do capital da transportadora, apesar de o Governo de Pedro Passos Coelho ter assinado, em Novembro, a venda de 61% do capital ao consórcio. Uma decisão que tem causado polémica, já que existe um contrato assinado.

 

Entretanto, o jornal britânico menciona a reversão das subconcessões de empresas dos transportes. Todas elas tinham já um comprador definido, todas de fora do país, mas o Governo de António Costa optou por reverter os contratos, que aguardavam ainda aprovações por parte de autoridades reguladoras. As embaixadas de países de onde eram oriundos os grupos compradores, como o México, já se pronunciaram e mostraram-se contra a opção, lembrando que os contratos de subconcessão estão incluídos em entendimentos de maior dimensão.

 

Estas são, na óptica do FT, questões que colocam em causa a imagem do país. O FT falou com Jujtaba Rahman, do grupo de consultoria Eurasia Group, que indicou que o Executivo português "enfrenta a tarefa impossível de concilicar exigências contraditórias entre os parceiros de esquerda e a comunidade de investimento internacional. Algo que, segundo disse Rahman ao jornal, terá um "impacto negativo sobre o ambiente empresarial português durante anos".

 

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