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FMI pede aos Governos que promovam teletrabalho e atividades de menor contacto social

Não basta retirar as medidas de confinamento para reativar os anteriores níveis de atividade económica, conclui o FMI. É preciso promover as atividades de menor contacto social.

O Governo tem vindo a reduzir gradualmente a obrigatoriedade de teletrabalho, deixando os trabalhadores dependentes de acordo com o empregador.
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Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 08 de Outubro de 2020 às 15:07
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O Fundo Monetário Internacional recomenda aos governos que tomem medidas para promover o teletrabalho, bem como atividades económicas que impliquem pouco contacto social. Esta será uma forma de facilitar a recuperação, enquanto a pandemia de covid-19 não está resolvida. A conclusão consta do artigo "The great lockdown: dissecting the economic effects", publicado esta quinta-feira.

Perante a crise de dimensões históricas provocada pela pandemia, os peritos do FMI foram analisar ao detalhe as razões da queda da atividade económica, em busca de linhas de ação para os governos. Desde logo, o FMI reforça uma ideia que se foi revelando ao longo do verão: não basta retirar as medidas de confinamento, ou seja, acabar com o grande "lockdown", para reativar a atividade económica com normalidade. É que há uma parte da redução da atividade que é ditada pelo distanciamento social voluntário, pelas medidas de cautela que a população adota, tendo em conta o medo de contrair a doença. Por exemplo, a alteração de comportamento voluntária soma 2% à redução da mobilidade. 

Daí que o FMI recomende aos governos que adotem medidas para "reduzir a intensidade dos contactos e tornar os locais de trabalho mais seguros", como a "promoção de pagamentos contactless", a "realocação gradual de recursos para os setores de contacto menos intensivo" e "o trabalho a partir de casa, por exemplo, através da melhoria da conectividade à internet e de apoios ao investimento em tecnologias da informação", lê-se no relatório.

Além disso, os economistas do Fundo validam a ideia de que as mulheres sofrem um impacto maior com as medidas de confinamento, o que resulta em custos também superiores para o seu emprego. A explicação para esta desigualdade estará relacionada com a necessidade de cuidar de filhos em idade escolar e um maior peso destas tarefas a ser suportado pelas mulheres. Também se verifica que o impacto é superior nas camadas mais jovens da população, colocando desafios maiores a quem trabalha.

Para ambos os casos, o FMI recomenda a manutenção dos apoios mesmo depois de terminadas as medidas de confinamento. 

Confinamento estrito tem vantagens?

"O custo económico de curto prazo do confinamento pode ser compensado através de atividade económica futura, possivelmente conduzindo a efeitos líquidos positivos para a economia", admitem os economistas do FMI. Para os peritos, confinar depressa, de forma bastante restritiva e por um curto período de tempo tem vantagens face a uma espécie de confinamento "light" que se prolongue por demasiados meses.

Mas esta conclusão resulta sobretudo da observação dos resultados para fazer face à primeira vaga de covid-19. Nos primeiros meses do contágio, os países mais rápidos e mais eficazes conseguiram um melhor controlo das infeções. Manter níveis mais elevados de contágio tem a desvantagem de prolongar o medo na população, refreando durante mais tempo a atividade económica e prejudicando a retoma.

Porém, esta conclusão não é diretamente aplicável ao período que os países atravessam agora. "Será importante reexaminar estes resultados à medida que a pandemia progride porque os benefícios relativos entre um confinamento suave, ou rigoroso podem mudar", avisa o FMI. "Por exemplo, se o alargamento do contact tracing e o uso generalizado de máscara forem eficazes na limitação das infeções, confinamentos suaves podem ser suficientes para conter novos surtos do vírus", explica.
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