Conjuntura FMI revê em baixa PIB na Zona Euro. Expansão está mais "frágil"

FMI revê em baixa PIB na Zona Euro. Expansão está mais "frágil"

O FMI reviu em baixa o crescimento económico da Zona Euro para 2018 e 2019. Para o Fundo Monetário Internacional a expansão económica é "forte", mas está mais "frágil" por causa das tensões comerciais.
Tiago Varzim 16 de julho de 2018 às 15:00
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa o crescimento do PIB da Zona Euro de 2,4% para 2,2% este ano e de 2% para 1,9% em 2019, tal como já tinha antecipado a directora-geral, Christine Lagarde. O deslize nas projecções tem um culpado: o aumento das tensões comerciais, o que está a agravar os riscos a curto prazo. Mas há também a incerteza dentro da própria União Europeia e a desaceleração do primeiro trimestre.

"O risco de as actuais tensões comerciais escalarem ainda mais - com efeitos adversos na confiança, no preços dos activos e no investimento - é a maior ameaça de curto prazo ao crescimento global", escreve Maury Obstfeld, conselheiro económico do FMI, na actualização de Verão do World Economic Outlook. O modelo de previsões do Fundo sugere que se as ameaças proteccionistas se concretizarem, o PIB global pode ficar 0,5% abaixo do previsto.

Este é um dos factores que leva o FMI a rever em baixa a expansão económica da Zona Euro, mas não é o único. Para o Fundo a "incerteza política" aumentou na União Europeia principalmente na frente migratória, mas também na área da justiça (Polónia) e no futuro da arquitectura institucional da Zona Euro. Além disso, "os termos do Brexit mantêm-se por resolver apesar de meses de negociações", destaca o FMI.

Nas economias europeias para as quais actualiza projecções - o que não é o caso de Portugal - a instituição liderada por Christine Lagarde reviu em baixa o crescimento económico na Alemanha, na França e na Itália. Já para Espanha as projecções mantiveram-se inalteradas. O FMI está também menos optimista em relação ao Reino Unido.

Esta desaceleração económica preocupa o Fundo uma vez que se esgota o tempo para que os Governos preparem as economias para uma futura crise. Em específico na Zona Euro, o Fundo recomenda que se acelere a resolução dos problemas que persistem no sector financeiro e que se diminua a dívida pública mais rapidamente.

E deixa um alerta que pode ser dirigido para Portugal: o FMI escreve que "evitar uma reversão indiscriminada das reformas pós-crise na regulação ajudaria a manter a resiliência num ambiente financeiro potencialmente mais volátil".

Tensões comerciais afectarão "especialmente" os EUA

Apesar de serem os campeões do crescimento neste momento, entre as economias avançadas, os Estados Unidos estão "especialmente vulneráveis" à guerra comercial, conclui o FMI. Isto porque a retaliação contra as suas medidas vai resultar em tarifas em várias frentes.

No entanto, isso ainda não é visível na economia norte-americana. Para já, o aumento dos gastos públicos, através do corte de impostos implementado pelo actual presidente Donald Trump, está a ajudar a economia norte-americana a crescer acima do seu potencial. Mas o fantasma do conflito comercial paira no ar.

"Evitar medidas proteccionistas e encontrar uma solução cooperativa que promova um contínuo crescimento do comércio de bens e serviços continua a ser essencial para preservar a expansão global", assinala o Fundo Monetário Internacional. Ou seja, a entidade liderada por Lagarde aponta para a direcção oposta à de Trump, aconselhando os países a trabalharem em conjunto para reduzir os custos do comércio internacional e para resolver as barreiras.

Também as projecções para o crescimento do volume do comércio global foram revistas em baixa, em comparação com Abril. Ainda assim, o ritmo de expansão das trocas comerciais será alto: depois de crescer 5,1% em 2017, o comércio global deverá aumentar 4,8% em 2018 e 4,5% em 2019.

Além disso, nos EUA, a Reserva Federal continua a retirar os estímulos da economia, normalizando a política monetária norte-americana. No entanto, o FMI escreve que se a Fed "apertar [a política monetária] mais depressa do que é esperado actualmente" pode levar a "pressões mais intensas" nas economias.



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