Conjuntura FMI: Zona Euro desacelera com todos os clientes de Portugal a perder gás

FMI: Zona Euro desacelera com todos os clientes de Portugal a perder gás

Não obstante antecipar-se a continuação de petróleo e crédito barato, nenhum grande país do euro escapou ao corte nas respectivas previsões de crescimento.
FMI: Zona Euro desacelera com todos os clientes de Portugal a perder gás
Reuters
Eva Gaspar 12 de abril de 2016 às 14:00

A Zona Euro não escapou à revisão em baixa feita pelo Fundo para a generalidade das economias mundiais. O cenário mais actualizado do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta terça-feira 12 de Abril, aponta para uma desaceleração do ritmo de crescimento e, em vez da taxa de progressão de 1,7% prevista ainda em Janeiro, espera-se agora que os países da união monetária cresçam apenas 1,5%, menos do que os 1,6% observados no ano passado.

"A recuperação na área do euro permanecerá modesta em 2016 e 2017, com o enfraquecimento da procura externa compensada pelos efeitos favoráveis dos preços mais baixos da energia, uma expansão orçamental modesta e condições financeiras favoráveis", resume o FMI. 

Entre as maiores economias, a maior revisão em baixa é feita para Itália, que deverá crescer 1,1%, menos três décimas do que se previa há quatro meses. Mas a revisão que tenderá a ter maior significado é a realizada ao comportamento da economia alemã: o "motor" do euro, maior investidor de longo prazo e um dos maiores clientes das exportações de Portugal, vai estagnar, crescendo 1,5%, o mesmo do que em 2015 e menos duas décimas do que o Fundo antecipava em Janeiro. Para 2016, a previsão é de uma ligeira aceleração para 1,6%.

 

De igual modo, Espanha e França viram igualmente cortadas as suas previsões de crescimento. No caso da economia vizinha, maior cliente e fornecedor da portuguesa, a expectativa do FMI é a de que cresça 2,6% (revisão em baixa em uma décima face a Janeiro),  abaixo dos 3,2% registados em 2015, e que a tendência de desaceleração prossiga em 2017, ano para o qual a instituição presidida por Christine Lagarde inscreve uma previsão de 2,3%. Já França crescerá 1,1%, menos duas décimas do previsto em Janeiro, mantendo o ritmo do ano passado que deverá acelerar para 1,3% em 2017.

 

O FMI não apresenta novas previsões para a economia portuguesa, na medida em que apenas actualizou os seus cálculos para as maiores economias mundiais, mas repesca neste documento as que elaborou no rescaldo da mais recente missão pós-troika, antecipando um crescimento de 1,4% neste ano, aquém dos 1,5% registados em 2015, seguido de nova desaceleração para 1,3% em 2017. Ao longo do último ano, o PS baixou a sua previsão de crescimento da economia portuguesa de 2,4% para 2,1% para depois a fixar em 1,8% no Orçamento do Estado que entrou em vigor neste mês.

Além de pedir mais cooperação no quadro global para travar o risco, que parece cada vez mais provável, de o mundo caminhar para uma "estagnação secular", o FMI repete velhos apelos para a Zona Euro, designadamente que países com maior margem orçamental, como é o caso da Alemanha, ponderem uma política orçamental mais expansionista do que a prevista. "Os países com espaço orçamental dentro do Pacto de Estabilidade e Crescimento deve fazer mais para apoiar a procura, por exemplo, através da expansão do investimento público", recomenda a instituição, que pede também mais rapidez e eficácia na implementação dos instrumentos previstos para promover o investimento à escala europeia, numa provável referência ao chamado Plano Juncker, que continua em "ponto-morto". 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI