Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

FMI: Políticas redistributivas têm impacto positivo no crescimento

Um paper publicado esta tarde por técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) conclui que, em geral, as políticas redistributivas são "benignas" para o crescimento económico.

5 – Christine Lagarde, directora do Fundo Monetário Internacional
Bloomberg
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2014 às 17:26
  • Assine já 1€/1 mês
  • 22
  • ...

O documento "Redistribuição, Desigualdade e Crescimento" é assinado por Jonathan D. Ostry, Andrew Berg, e Charalambos G. Tsangarides. Os economistas utilizaram bases de dados actualizadas para estabelecer relações entre essas três variáveis, testando conclusões anteriores da teoria económica.

 

Os autores chegam a três conclusões principais:

 

1. sociedades mais desiguais tendem a redistribuir mais

 

2. um país menos desigual (depois de transferências sociais) tende a beneficiar de um crescimento económico mais durável

 

3. a redistribuição parece ter um impacto benigno no crescimento, excepto em casos classificados como "extremos".

 

Ou seja, a combinação dos efeitos directos e indirectos da redistribuição – incluindo os efeitos no crescimento de uma menor desigualdade – são, em média, pró-crescimento", pode ler-se no paper.

 

"Surpreendentemente existem poucas provas de destruição de crescimento devido a redistribuição orçamental a um nível macroeconómico", referem os autores que,

É um erro concentrar-se apenas no crescimento e esperar que a desigualdade se resolva por si só, não apenas porque a desigualdade pode ser eticamente indesejável, mas também porque o crescimento que daí resulta pode ser baixa e insustentável.

 
Documento "Redistribuição, Desigualdade e Crescimento"

embora avisem que é necessária cautela na interpretação dos dados, sublinham que os dados não mostram que os responsáveis políticos estejam obrigados a escolher entre redistribuição da riqueza e crescimento.

 

Pelo contrário. Segundo o estudo, "é um erro concentrar-se apenas no crescimento e esperar que a desigualdade se resolva por si só, não apenas porque a desigualdade pode ser eticamente indesejável, mas também porque o crescimento que daí resulta pode ser baixa e insustentável".

 

Estas conclusões dos técnicos do FMI surgem a poucos meses do final do programa de ajustamento português. Ao longo dos últimos três anos, este tema não esteve no centro das preocupações da troika.

 

Como o Negócios noticiou na semana passada, uma análise do "think tank" Bruegel concluía que das 1.081 páginas de relatórios de avaliação da Comissão Europeia (do programa inicial à nona revisão) não aparecem referidas uma única vez as palavras "pobreza" ou "desigualdade".

 

No outro extremo do "ranking" estão as palavras "orçamental" (que em média surge quase uma vez por página), "emprego" ou "desemprego" (duas vezes em cada três páginas) e "reforma" (uma vez por cada três páginas).

Ver comentários
Saber mais FMI redistribuição crescimento desigualdade
Outras Notícias