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Governo optimista até 2020

O Conselho das Finanças já tinha defendido que as previsões do Governo para 2016 eram optimistas. Agora estende o aviso até 2019, comparando as previsões do Programa de Estabilidade com as de outras instituições.

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Além de considerar, como já havia defendido aquando da apresentação do Orçamento do Estado, que as projecções macroeconómicas para 2016 são optimistas, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) entende que falta prudência também no médio prazo: "Para todo o período de previsão, o CFP destaca os riscos que incidem sobre a prudência dos pressupostos relativos à evolução da procura externa e ao crescimento das exportações no médio prazo", assim como à "fundamentação para a dinâmica do investimento", lê-se na análise do CFP ao cenário macroeconómico inscrito no Programa de Estabilidade, no qual inclui uma comparação entre as previsões do governo e a média das previsões do FMI, da Comissão Europeia, da OCDE e do próprio CFP.

 

As previsões do Governo são demasiado optimistas?

O governo espera que a economia cresça mais, alicerçada em desempenhos positivos das exportações e das importações, que compensarão uma maior contenção da despesa pública do que a indicada pela média das expectativas das instituições, diz o CFP: "Para 2017 o MF antecipa um crescimento do PIB idêntico ao máximo do intervalo das outras previsões (1,8%), caracterizando-se por uma evolução negativa do consumo público e por um maior crescimento da FBCF. Nos anos 2018 a 2020, as estimativas do MF para a evolução do PIB são consistentemente superiores às das instituições oficiais, justificando-se por uma dinâmica de investimento mais favorável, que compensa uma trajectória do consumo público negativa".

 

O ministério das Finanças inscreve ainda no PE uma "dinâmica mais favorável da balança de bens e serviços esperada" que, diz o CFP, "coincide com a expectativa apresentada para o comportamento das exportações e importações", e junta-lhe perspectivas mais positivas para o mercado de trabalho, com "destaque para os dois últimos anos de projecção [2019 e 2020], em que as previsões do MF diferem das restantes por se esperar uma menor taxa de desemprego e um maior crescimento do emprego, bem como para as remunerações médias por trabalhador, que se encontram sempre acima da média".

 

"Adicionalmente", avisa ainda o CFP "a instabilidade em torno do sistema financeiro português constitui um risco não negligenciável para a concretização do cenário macroeconómico", analisam os técnicos liderados por Teodora Cardoso, considerando que "o conjunto das previsões para o período 2017-2020 apresenta um risco mais elevado de não realização".

 

 

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