Conjuntura INE: Actividade e clima económico perdem gás

INE: Actividade e clima económico perdem gás

Os indicadores mais avançados do INE mostram que em Setembro e Outubro, a actividade económica e o clima económica, respectivamente, desaceleraram. No consumo, também não há optimismo.
INE: Actividade e clima económico perdem gás
Paulo Duarte
Nuno Aguiar 18 de novembro de 2016 às 11:23

São os primeiros indicadores publicados desde que o INE divulgou o crescimento surpreendente do terceiro trimestre. A maior parte ainda diz respeito a esse período, outros já vão mais longe. Segundo os dados publicados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), "o indicador de actividade económica, disponível até Setembro, e o de clima económico, disponível até Outubro, diminuíram".

 

O primeiro indicador - actividade económica - é um indicador quantitativo, que reflecte um síntese de várias séries de dados, como a produção na indústria, o consumo de energia, a venda de combustíveis, de cimento e de carros, por exemplo. Ele apresenta agora um crescimento de 1,3% em Setembro (média móvel de três meses), abaixo dos 1,5% de Julho e Agosto. Está a atravessar um período descendente desde Outubro do ano passado.

 

O segundo indicador referido - clima económico - tem mais um mês de dados. Ao contrário do anterior, não tenta quantificar a evolução da economia, mas sim espelhar a confiança dos empresários portugueses da indústria, construção e serviços. Esta série apresentava uma tendência de crescimento desde o arranque deste ano e registou em Outubro o primeiro recuo em dez meses, passando de 1,4% para 1,3% (também uma média móvel de três meses).

 

Este indicador de clima económico tem sido citado pelo Governo como prova do impacto positivo da sua governação na economia. Ainda recentemente, quando saíram os dados do PIB do terceiro trimestre, o Ministério das Finanças enviou um gráfico com a evolução do mesmo.

 

No que diz respeito ao consumo, os números do INE também não trazem boas notícias. O indicador quantitativo desacelerou em Setembro, devido um crescimento mais modesto de bens duradouros e correntes. Passa de 2,6% para 2,1%. Quanto ao indicador qualitativo do consumo, baseado nas opiniões dos empresários de comércio e retalho, está estabilizado em 2,2% desde Agosto. Há um ano que tem variado apenas entre 2% e 2,2%.

 

Em relação ao investimento, o indicador de formação bruta de capital fixo estabilizou em -1,3% em Setembro, o que "interrompe o movimento descendente iniciado em Abril de 2015", graças ao material de transporte, que voltou a registar um crescimento, enquanto as outras rubricas apresentaram desempenhos mais negativos. A julgar por estes indicadores mais finos do INE, o terceiro trimestre deste ano ainda não trará boas notícias para o investimento em Portugal. 

 

(Notícia actualizada às 11:48 com mais informação)




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI