Conjuntura INE confirma PIB de 2,1% em 2018. Exportações abrandaram

INE confirma PIB de 2,1% em 2018. Exportações abrandaram

A meta do Governo, inscrita em outubro no âmbito do Orçamento o Estado para 2019, era de um crescimento de 2,3%.
INE confirma PIB de 2,1% em 2018. Exportações abrandaram
Reuters
Margarida Peixoto 28 de fevereiro de 2019 às 11:02

A economia portuguesa cresceu 2,1% em 2018, confirmou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE), validando a estimativa rápida que tinha sido avançada há duas semanas. O resultado ficou duas décimas abaixo da meta definida em outubro pelo Governo, no âmbito do Orçamento do Estado para este ano.

A explicar o abrandamento do ritmo de crescimento económico está o menor dinamismo das exportações, que travaram acima das importações, quando comparado com 2017. Conforme explica o INE, a procura externa líquida tirou sete décimas ao PIB de 2018, enquanto no ano anterior tinha contribuído apenas com três décimas negativas.



Do lado da procura interna, o contributo para o crescimento da atividade económica também foi menor (2,8 pontos percentuais, contra 3,1 pontos). O INE explica que o investimento registou um crescimento menos intenso, face ao que se tinha verificado em 2017.

Exportações travam a fundo e não crescem nos últimos três meses do ano

Os números do INE mostram que as exportações cresceram 3,7% em 2018, a subida mais baixa desde 2012 e menos de metade do que o que tinha sido conseguido em 2017 (7,8%). Ainda assim, as exportações nunca tinham pesado tanto no PIB desde o início da série estatística do INE (1995). No ano passado atingiram os 43,6% da riqueza total produzida.

O abrandamento traduz um travão nas vendas ao exterior tanto de bens, como de serviços. As exportações de bens cresceram 3,6% (contra 6,7% em 2017) e as de serviços avançaram 3,8% (face aos 11% do ano anterior).

Olhando para os dados trimestrais, verifica-se que as exportações não cresceram nos últimos três meses do ano, quando comparadas com o quarto trimestre de 2017. Este comportamento ficou a dever-se exclusivamente à venda de bens ao exterior, que caiu 1%. Já a exportação de serviços (onde o turismo tem um peso cada vez maior) acelerou para uma subida de 2,8%.

A travagem nas exportações ditou um abrandamento do ritmo de crescimento do quarto trimestre de 2018, para 1,7% (0,4% em cadeia). Na análise trimestral verifica-se, aliás, que a procura interna deu um contributo maior do que o que tinha sido registado no terceiro trimestre do ano.

Famílias aceleram compra de bens correntes, empresas travam investimento

A procura interna cresceu mais devagar em 2018 do que o conseguido no ano anterior. A explicar este comportamento está um abrandamento do investimento das empresas, enquanto o consumo privado e o consumo público aumentaram ambos.

O INE explica que o consumo privado cresceu mais à boleia das compras correntes, enquanto a compra de bens duradouros abrandou (de 6,2% para 5%). Já o consumo público acelerou de 0,2% para 0,8%.

Do lado do investimento, o travão foi sentido em quase todos os setores: só o investimento em produtos de propriedade intelectual, que tem um peso menos representativo, acelerou o ritmo de crescimento (de 3,4% para 4,9%). O investimento em máquinas e equipamentos "registou uma desaceleração acentuada, passando de um crescimento de 14,4%, para 6,7%", lê-se no boletim publicado pelo INE.

O investimento em equipamento de transporte também caiu de forma "pronunciada", crescendo 3,6%, longe dos 10,7%. E o investimento em construção travou de 8,3% para 3,1%.

(Notícia em atualização)




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