Conjuntura Investimento continua sem sinais de arrancar

Investimento continua sem sinais de arrancar

A economia portuguesa surpreendeu os analistas, com valores de crescimento acima daquilo que se esperava. Os sinais vindos do investimento é que não são ainda os melhores. Economistas antecipam resultados frágeis no terceiro trimestre.
Investimento continua sem sinais de arrancar
Reuters
Nuno Aguiar 20 de novembro de 2016 às 18:56

Ainda não sabemos o que aconteceu ao investimento no terceiro trimestre do ano. Mas os sinais não são os melhores. O indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), divulgado sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostra que o investimento está ainda num nível desapontante. Os economistas também não antecipam boas notícias.

O indicador de FBCF está negativo há cinco meses, tendo estabilizado em -1,3% em Setembro, o que interrompe o movimento descendente iniciado em Abril, graças ao material de transporte, que voltou a registar um crescimento, com um salto de -1,5% para 0,7%, depois de vários meses de variações acima dos dois dígitos.

Por outro lado, as outras duas rubricas apresentaram piores desempenhos. A construção mantém-se negativa, tendo registado um recuo maior em Setembro face a Agosto (-3,1% vs. 2,9%), enquanto as máquinas e equipamento têm uma variação positiva, mas mais modesta (0,4% vs. 1,6%).


Embora o INE ainda não tenha publicado números do investimento do terceiro trimestre, estes indicadores mais "finos" parecem apontar para uma continuação de resultados débeis. Uma ideia com a qual os economistas parecem concordar. "Nada é dito [pelo INE] sobre a evolução do investimento pelo que se depreende que este último agregado poderá ter mantido a trajectória desfavorável observada nos trimestres anteriores", escreve o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa, da Católica. Filipe Garcia, do IMF, sublinha a mesma preocupação: "Preocupa-nos o que estará a acontecer ao investimento, que não deixa de ser a semente de crescimento futuro e que, receamos, terá tido mais um mau trimestre."

A verdade é que os economistas também não anteciparam um crescimento tão forte da economia entre Junho e Setembro, pelo que podem estar a subestimar o investimento. O Montepio, por exemplo, antecipa uma subida ligeira da FBCF em comparação com o trimestre anterior.

Actividade e clima económico perdem gás

Ainda segundo os dados do INE, "o indicador de actividade económica, disponível até Setembro, e o de clima económico, disponível até Outubro, diminuíram". O primeiro indicador – actividade económica – é quantitativo. Reflecte um síntese de várias séries de dados, como a produção na indústria, o consumo de energia, a venda de combustíveis, de cimento e de carros, por exemplo. Ele apresenta agora um crescimento de 1,3% em Setembro (média móvel de três meses), abaixo dos 1,5% de Julho e Agosto. Está a atravessar um período descendente desde Outubro do ano passado.

O segundo indicador referido – clima económico – tem mais um mês de informação. Ao contrário do anterior, não tenta quantificar a evolução da economia, mas sim espelhar a confiança dos empresários portugueses da indústria, construção e serviços. Esta série apresentava uma tendência de crescimento desde o arranque deste ano e registou em Outubro o primeiro recuo em dez meses, passando de 1,4% para 1,3% (também uma média móvel de três meses).




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