Conjuntura Investimento volta a cair dois anos e meio depois, INE revê PIB em alta

Investimento volta a cair dois anos e meio depois, INE revê PIB em alta

O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu em alta o crescimento económico do primeiro trimestre deste ano, de 0,8% para 0,9%. Nesse período, o investimento sofreu a primeira contracção homóloga desde 2013.
Investimento volta a cair dois anos e meio depois, INE revê PIB em alta
Bloomberg
Nuno Aguiar 31 de maio de 2016 às 11:07

Os dados publicados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, afinal, a economia portuguesa não cresceu 0,8%, mas sim 0,9% no primeiro trimestre do ano, face ao mesmo período de 2015. Em cadeia, em vez de 0,1%, o INE estima agora que a economia tenha avançado 0,2%.

 

Trata-se de uma boa notícia para a actividade económica nacional, mas que ainda deixa o crescimento do produto interno bruto (PIB) longe da meta anual do Governo (0,9% vs. 1,8%). O motivo para a revisão da estimativa rápida (de 13 de Maio) é explicado pelo INE com a incorporação de nova informação relativa aos deflatores das exportações e importações.

"O Produto Interno Bruto (PIB) registou, em termos homólogos, um aumento de 0,9% em volume no primeiro trimestre de 2016 (variação de 1,3% no trimestre anterior). A procura externa líquida registou um contributo negativo de 1,1 pontos percentuais para a variação homóloga do PIB, igual ao observado no quarto trimestre de 2015, verificando-se uma desaceleração das Exportações de Bens e Serviços e das Importações de Bens e Serviços", explica o INE, no destaque que publicou terça-feira, 31 de Maio. 

 

Dois anos e meio depois, investimento volta a cair

Com os novos dados do INE é possível perceber e quantificar o que esteve por trás do crescimento de 0,9% no arranque do ano. Talvez o principal elemento a destacar seja o investimento que, pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, registou uma contracção homóloga, diminuindo 2,2% face ao mesmo trimestre do ano passado, o que prolonga a desaceleração do indicador observada precisamente desde esse trimestre.

A quebra é explicada essencialmente por terem sido meses terríveis para a construção. 
"O comportamento da formação bruta de capital fixo [investimento] em construção explicou, em grande medida, a diminuição da FBCF total verificada no 1º trimestre, registando uma variação homóloga de -3,9% em termos reais, após ter aumentado 4,4% no 4º trimestre", pode ler-se no destaque do INE. 

 

Esse é um dos principais factores por trás de um valor tão débil em Janeiro e Março deste ano. O outro são as exportações, que cresceram apenas 2,2%, influenciadas pela crise em mercados chave, como Brasil e Angola, bem como pelo arrefecimento europeu. De referir, porém, que a venda de serviços (e não de bens) foi a mais penalizada. Entre as exportações de serviços, apenas o turismo acelerou. O impacto só não é maior, porque as importações também travaram face aos três meses anteriores, avançando 4,6%.

 

Juntando estes dois elementos, a procura externa líquida (exportações menos importações) deu um contributo negativo para o PIB, de -1,1 pontos percentuais. O que colocou então a economia em terreno positivo? A procura interna, que deu um contributo positivo de 2 pontos, graças ao consumo das famílias (de 2,3% para 2,9%), que acelerou em relação ao final do ano, graças ao consumo de bens duradouros (de 7,5% para 12,8%). Leia-se, compra de automóveis. 




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