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Microempresas muito mais pessimistas sobre vendas e emprego do que as grandes

Globalmente, a expetativas de vendas das empresas é claramente negativa, com 48% a esperar uma diminuição homóloga e apenas 17% a esperar um crescimento. Mas as grandes empresas estão muito mais otimistas, eventualmente animadas com as notícias sobre a vacina e sobre os fundos comunitários.

Pedro Catarino
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Quase metade das grandes empresas (47%) esperam um aumento das vendas nos próximos quatro meses, entre dezembro e março, enquanto as restantes esperam uma diminuição (30%) ou a manutenção dos valores em termos homólogos (23%).

Os resultados da 11º edição do inquérito conduzido pela Confederação Empresarial (CIP), que tende a sobrerrepresentar as grandes empresas e as que pertencem ao setor da indústria, o otimismo é inversamente proporcional à dimensão da empresa.

Apenas 8% das microempresas espera um aumento de vendas nos próximos quatro meses, ou seja, de dezembro a março, em termos homólogos, sendo superior o valor das que esperam uma manutenção (36%) e sendo maioritárias as que esperam uma quebra de vendas (56%).

Globalmente, "as expetativas de vendas das empresas respondentes para os próximos 4 meses é claramente negativa face a 2019 (com 48% a esperarem uma diminuição, versus 17% das empresas a esperarem um crescimento)", tendo melhorado apenas a nível das grandes empresas.

O inquérito foi realizado entre 4 e 10 de dezembro, refletindo portanto as medidas anunciadas no âmbito do Orçamento do Estado, mas não as que foram apresentadas na última quinta-feira pelo ministro da Economia, nomeadamente a nível de subsídios a fundo perdido às rendas de pequenas e médias empresas.

"Ou seja o pessimisto está mais ligado às microempresas sendo que do lado das grandes empresas até há algum otimismo em relação aos próximos quatro meses", que englobam já na comparação homóloga o primeiro mês da pandemia, março de 2020, começou por referir Pedro Dionísio, do Marketing FutureCasteLab do ISCTE, que realiza o inquérito em parceria com a CIP.

"Não podemos ter uma interpretação inequívoca", disse. "Mas pensamos que as informações relativas às notícias sobre a vacinação e sobre a chegada de fundos europeus podem ter contribuído para o otimismo por parte das grandes empresas que são mais bem informadas e têm uma perspetiva de mais médio e longo prazo do que as microempresas".

O inquérito baseou-se numa amostra de 431 empresas e tem um erro amostral máximo de 4,7%, de acordo com os autores.

Maior fatia vai reduzir emprego

No caso das perspetivas de emprego a mensagem ainda é globalmente negativa, mas a expectativa também é mais positiva no caso das grandes empresas.

Globalmente, existe um maior número de empresas (14%) que esperam diminuir o número de recursos humanos do que aumentá-los nos próximos quatro meses (12%), uma situação ainda assim "menos má" do que a reportada em novembro.

No entanto, se no caso das grandes empresas é maior a proporção que prevê um aumento (30%) do que uma diminuição (20%).

Já no caso das microempresas a proporção inverte-se: é maior a fatia que espera diminuir (11%) do que aumentar (9%).

Maioria quer diminuir investimento

No caso do investimento, a mensagem passada na conferência da CIP é claramente negativa: 39% das empresas pensam diminuir investimento em 2021 face a 2019, enquanto só 19% espera aumentar.

Embora o peso das que pensa diminuir tenha diminuído (de 46% para 39%) e do das que pensam aumentar tenham aumentado, a CIP destaca que os valores em causa são agora mais "preocupantes".

"O mais preocupante é a deterioração dos valores de investimento. Nas empresas que pensam diminuir o investimento o valor da diminuição a passar de 53% para 55% e nas que pensam aumentar o investimento, o acréscimo diminuir de 38% para 28%", destaca a CIP, na apresentação que fez.

Na indústria, "as empresas tendem a investir quando têm necessidade de crescer face à capacidade instalada", ou quando querem inovar, justificou Pedro Dionísio. "O que se passa é que as empresas vêm de um período que não foi bom. Neste momento temos capacidade porque estamos a produzir abaixo da capacidade instalada"." Por outro há todo um clima de incerteza em relação ao futuro" que também questiona os investimentos.

Durante a conferência de imprensa, o presidente da CIP, António Saraiva, lamentou que as medidas de apoio a fundo perdido, anunciadas na semana passada, não tenham chegado oito meses antes. O presidente da CIP considera que há algum "cansaço" em relação a "constantes anúncios" e uma "tardia" execução, o que pode explicar a contestação gerada pelos chamados movimentos inorgânicos.

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