Conjuntura Montepio corta previsões para a economia portuguesa

Montepio corta previsões para a economia portuguesa

Sucedem-se as revisões em baixa para o crescimento da economia portuguesa. O Montepio está mais pessimista devido ao Brexit e dados desfavoráveis no retalho e na indústria.
Montepio corta previsões para a economia portuguesa
Paulo Duarte/Negócios
Nuno Carregueiro 04 de julho de 2016 às 16:31

Os dados desfavoráveis no retalho e na indústria e a saída do Reino Unido da União Europeia levaram o Montepio a efectuar, esta segunda-feira, um novo corte nas estimativas de crescimento para a economia portuguesa no segundo trimestre e no conjunto deste ano.

O departamento de estudos do banco antecipa agora que o PIB vai crescer 1,2% este ano, o que traduz um corte de três décimas face à previsão anterior (1,5%). O Montepio assinala ainda assim que continua mais optimista do que o FMI, que na semana passada reviu em baixa a sua perspectiva de crescimento para este ano, para 1%.

 

A nova estimativa do Montepio está alinhada com a da OCDE (1,2%) e abaixo da avançada pelo Banco de Portugal o mês passado (1,3%) e da Comissão Europeia em Maio (1,5%). O Governo continua a apontar para um crescimento de 1,8% este ano, mas o ministro das Finanças já admitiu que a estimativa será revista em baixa.

 

"Dados pouco favoráveis conhecidos para a actividade retalhista e industrial no mês de Maio levam-nos a rever ligeiramente em baixa a previsão para o crescimento do PIB no segundo trimestre, para um crescimento entre 0,4% e 0,6%, revisão que, quando acrescida do assumir de alguns dos riscos descendentes já anteriormente por nós admitidos e que se viram recentemente intensificados com a vitória do Brexit no Reino Unido, nos levou a rever também em baixa a previsão de crescimento do PIB para 2016", refere o Montepio.

 

Apesar da revisão em baixa, o Montepio destaca pela positiva "os dados sobre o mercado laboral, com a taxa de desemprego a estabilizar em Maio, mas num valor inferior ao que tinha sido anteriormente reportado, encontrando-se em mínimos desde Março de 2010 e mantendo tendência de recuperação".

 

O INE revelou recentemente que as vendas a retalho desceram 1,7% em Maio, revertendo a subida de 1,3% em Abril. Já a produção industrial revelou um "forte decréscimo mensal de 3,7%, em Maio, mas depois de uma subida bem mais intensa no mês anterior".

 

"Estes dados conhecidos para a actividade retalhista e industrial no mês de Maio levaram o nosso indicador compósito para o PIB a passar a apontar para uma expansão em cadeia entre 0,4% e 0,6%, representando uma revisão em baixa em 0,1 pontos percentuais face ao valor até então apresentado, mas representando, ainda assim, uma aceleração, com a economia a dever ser suportada tanto pela procura interna, como pelas exportações líquidas", refere o Montepio.

 

O Montepio aponta agora para um crescimento médio de cerca de 0,4% entre o segundo e o quarto trimestre, quando antes previa uma taxa de crescimento média de 0,6%.

 

Para o conjunto do ano, o Montepio assinala que a economia deverá voltar a ser suportada "apenas pela procura interna, antecipando-se que o consumo privado cresça cerca de 1,9% e prevendo-se que a FBCF [formação bruta de capital fixo] cresça a um ritmo bem inferior ao de 2015 (+4,1%), enquanto as exportações líquidas deverão apresentar um contributo ligeiramente negativo", refere o Montepio, que antes apontava para um crescimento de 2,2% no consumo das famílias.




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