Conjuntura Nova líder do FMI vê "risco sério" de maior abrandamento e pede estímulos

Nova líder do FMI vê "risco sério" de maior abrandamento e pede estímulos

No primeiro discurso enquanto nova líder do FMI, Kristalina Georgieva identifica um "risco sério" que o abrandamento da economia global seja mais abrangente e "sincronizado" por todo o globo, o que a leva a pedir medidas de estímulo aos governos.
Nova líder do FMI vê "risco sério" de maior abrandamento e pede estímulos
EPA
David Santiago 08 de outubro de 2019 às 15:18

O abrandamento da economia mundial já em curso pode ser mais abrangente do que o previsto e acontecer de forma "sincronizada" no conjunto do globo, alerta Kristalina Georgieva.

No primeiro discurso como nova diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a búlgara avisa que o arrefecimento económico já visível poderá ser ainda maior e mais global, o que leva Georgieva considerar que os governos poderão ser chamados a implementar coordenadamente político de apoio ao crescimento.

Num discurso que serve de antecipação da reunião anual do FMI, Georgieva adiantou que a instituição sediada em Washington vai rever em baixa as projeções económicas referentes a 2019 e 2020 no relatório que será divulgado em 15 de outubro. Isto depois de, já em julho, o Fundo ter baixado as estimativas de crescimento da economia global para 3,2% neste ano e para 3,5% no próximo. Em setembro, a OCDE já cortou as estimativas para a evolução económica e o Banco Mundial alertou que irá fazer o mesmo.

Georgieva sustentou que a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China representa a maior ameaça à economia global, sendo que o reforço mútuo de tarifas aduaneiras já se reflete negativamente não apenas nos níveis de produção, mas também no decréscimo do investimento.


No entender da nova diretora-geral do Fundo, esta realidade configura um "sério risco" de alastramento do abrandamento económico a outras áreas tais como serviços e consumo, isto devido ao impasse em que se encontra atualmente o comércio mundial.


"A economia global encontra-se agora num abrandamento sincronizado", disse citada pela Bloomberg.


A ex-líder do Banco Mundial defendeu ainda que também o Brexit e as "tensões geopolíticas" são fatores promotores de "incerteza".

Perante uma conjuntura com tendência para se deteriorar ainda mais do que o esperado, Kristalina Georgieva avisa que "poderá ser necessária uma resposta orçamental coordenada", ou seja, a líder do FMI argumenta que serão necessárias mais medidas de estímulo ao crescimento económico. E embora admite não ter ainda chegado o momento em que tais medidas são verdadeiramente indispensáveis, avisa que é melhor agir cedo do que tarde. 

Assim sendo, a tendência de descida, ou manutenção, das taxas de juros pelos bancos centrais é para manter, não só devido ao maior abrandamento mas às persistentes baixas taxas de inflação.

(Notícia atualizada às 15:31)




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