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Nunca o número médio de filhos por mulher foi tão reduzido em Portugal

Portugal vive, neste momento, um duplo envelhecimento demográfico. Menos jovens, mais velhos. Há 136 idosos por cada 100 jovens com menos de 15 anos. Em 2013, eram 106. A emigração ajuda a este feito.

Bloomberg
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 16 de Junho de 2014 às 12:40
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Portugal estreou um novo mínimo no que diz respeito ao número médio de filhos por mulher. Em 2013, cada mulher teve, em média, 1,21 filhos. Foi o terceiro ano consecutivo de recuos do chamado índice sintético de fecundidade.

 

Em dez anos, o índice passou de 1,44 para 1,21 filhos por mulher, de acordo com o destaque publicado esta segunda-feira, 16 de Junho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Em 2012, o índice era de 1,35. Desde 1981 que Portugal não apresenta um valor acima de 2,1 crianças por mulher, aquele que é considerado o nível mínimo para que haja uma substituição de gerações nos países mais desenvolvidos.

 

Os números revelados por aquela entidade são relativos a 2013. Os valores do ano anterior colocavam Portugal na cauda da Europa, apenas à frente de quatro países (Letónia, Polónia, Roménia e Hungria). A média da União Europeia situava-se, nesse ano, em 1,57. De acordo com um destaque publicado no ano passado, os portugueses pensavam vir a ter mais filhos do que os que efectivamente tinham, mas desejam ter ainda mais. Os custos financeiros associados a ter um filho e a dificuldade em encontrar um emprego estavam entre as principais razões para que não se tivessem mais filhos. Assim, o índice que representa o número médio de crianças vivas nascidas por mulher em idade fértil (dos 15 aos 49 anos) tem vindo a cair continuamente.

 

Já a esperança média de vida evoluiu em sentido contrário. No triénio 2011-2013, o número médio de anos que uma pessoa à nascença pode esperar viver era de 80 anos, resultado de uma tendência em que está continuamente a subir para um novo recorde, ano após ano, segundo o destaque do INE. No triénio 2001-2003, a taxa fixava-se em 76,98 anos. Para as mulheres, a esperança média de vida era, entre 2011-2013, de 82,79 (contra os 80,21 anos registados uma década antes), enquanto para os homens se fixou nos 76,91 anos (face aos 73,55 anos dez anos antes).

 

Portugal vive agravamento do envelhecimento demográfico

O número médio de anos que uma pessoa à nascença pode esperar viver, mantendo-se as taxas de mortalidade por idade observadas no momento, era de 76,98 anos no triénio 2001-2003 e de 80 anos no triénio 2011-2013

INE

 

Estas tendências mostram um "agravamento do envelhecimento demográfico" em Portugal. "Descida da natalidade", "aumento da longevidade" e o "impacto da emigração" ("mais recentemente"), num contexto de crise financeira e de medidas de constrangimento orçamental com impacto no rendimento disponível das famílias, são os factores apontados para esse comportamento.

 

"Entre 2003 e 2013, é visível o duplo envelhecimento demográfico". Quer isto dizer que o número de jovens recua enquanto o de idosos aumenta. "Neste período aumentou o número de pessoas com 65 ou mais anos de idade (idosos), diminuiu o número de pessoas com menos de 15 anos de idade (jovens) e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos (idade activa)".

 

Em 2003, havia 106 idosos por cada 100 jovens. O número subiu para 136 idosos em dez anos. 

 
Portugal, país de 10.427.301 pessoas
Em Portugal, e tendo como referência as estimativas de população residente em Portugal do INE divulgados esta segunda-feira, continuam a morrer mais pessoas do que a nascer e a sair do país mais população do que a entrar. No que diz respeito ao saldo natural, "o número de nascimentos com vida, de mães residentes em Portugal, voltou a diminuir, atingindo o valor de 82.787, menos 7,9% do que em 2012; o número de óbitos de residentes em Portugal foi de 106.543, menos 1% do que em 2012". Assim, o saldo natural alcançou o valor negativo de 23.756 pessoas.

 

O saldo migratório foi, também ele, negativo, mantendo-se aí pelo terceiro ano consecutivo. Com 53.786 emigrantes permanentes e 17.554 imigrantes permanentes, a diferença situou-se em 36.232 pessoas, ainda que caindo ligeiramente face a 2012 porque o número de imigrantes aumentou ligeiramente.

 

Em resultado da conjugação destes dois saldos negativos (natural e migratório), o INE dá conta ainda que a população residente em Portugal foi estimada, a 31 de Dezembro de 2013, em 10.427.301 pessoas, "menos 59.988 do que a população estimada para 31 de Dezembro de 2012, o que representou uma taxa de crescimento efectivo negativa, que se situou em 0,57%".

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