Conjuntura OCDE mantém previsão de crescimento e acredita que o desemprego vai ficar aquém de 13% no próximo ano

OCDE mantém previsão de crescimento e acredita que o desemprego vai ficar aquém de 13% no próximo ano

É a previsão mais optimista até agora realizada por instituições internacionais para a evolução do desemprego em Portugal. Já para o crescimento da economia, os cálculos da OCDE continuam a apontar para um valor mais baixo do que o antecipado pelo Governo no Orçamento do Estado para 2015.
OCDE mantém previsão de crescimento e acredita que o desemprego vai ficar aquém de 13% no próximo ano
Eva Gaspar 25 de novembro de 2014 às 10:30

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) manteve inalterada a sua previsão de crescimento para a economia portuguesa, antecipando, tal como avançara no início de Outubro, uma progressão de 0,8% neste ano, seguida de uma aceleração para 1,3% em 2015, num contexto em que assume que a Zona Euro crescerá 0,8% e 1,1%,respectivamente.  Em ambos os casos, os números divulgados nesta terça-feira, 25 de Novembro, no quadro das novas previsões macroeconómicas da instituição, estão em linha com os previstos pela Comissão Europeia (0,9%, 1,3%) e pelo FMI (0,8%, 1,2%) e são inferiores aos do Governo (1% e 1,5%).

 

Em contrapartida, a OCDE é a única organização que neste momento acredita que a taxa de desemprego - única variável que sofre um ajustamento significativo nesta sua actualização das previsões - vai ficar aquém de 13% já no próximo ano, em 12,8%. Trata-se da previsão mais optimista até agora realizada por instituições internacionais para a evolução do desemprego em Portugal, ficando meio ponto aquém da anterior previsão da OCDE que, em Outubro, antecipava que o desemprego descesse de 14,1% neste ano - valor que agora também revisto em baixa para 13,7% - para 13,3%. A título de comparação, a Comissão Europeia prevê para o próximo ano uma descida do desemprego para 13,6%, o FMI aponta para 13,5% e o Governo para 13,4%.

 

O desemprego continuará, porém, elevado (12,6% é a previsão para 2016) em parte devido a uma retoma que prosseguirá "lenta", crescentemente assente no sector exportador que precisa, porém, de mais investimento para alargar a sua expansão. "O reequilíbrio da economia portuguesa está a ser realizado, mas esse processo seria reforçado com mais concorrência nos serviços, um sistema judicial reformado e eficiente, impostos mais baixos e um melhor desempenho da inovação."

 

A OCDE adverte ainda que qualquer passo atrás nas reformas estruturais, designadamente nos mecanismos de negociação salarial - que defende deverem ser negociados o mais possível ao nível de cada empresa - "reduzirá a capacidade da economia de reconquistar competitividade". A instituição teme, em particular, que as chamadas "portarias de extensão" sejam descongeladas.

 

Tal como referira em Outubro, quando divulgou o relatório anual sobre Portugal, a organização presidida por Angél Gurría diz que há espaço para, de forma neutra para o Orçamento do Estado, reforçar o sistema de protecção social de modo a que este promova uma redução da desigualdade e da pobreza.

 

De acordo com o estudo comparativo divulgado nesta semana, Portugal é a seguir ao México o país, entre os 33 membros da OCDE, que dedica a maior fatia das transferências sociais pecuniárias, incluindo aqui as pensões de reforma, aos mais ricos. Em Portugal, 40% dessas transferências sociais destina-se aos 20% mais ricos. Para os 20% mais pobres, vai cerca de 10%. Só o México concentra mais transferências nos mais ricos (cerca de 55%). Já na Austrália, Noruega e Dinamarca a proporção é precisamente a inversa.




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