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OCDE: Um quarto dos portugueses está abaixo do limiar da pobreza

Os dados oficiais mostram que o número de pobres estabilizou em Portugal, mas a OCDE avisa que esses dados podem ser enganadores. Em 2012, a pobreza afectava 24,7% da população portuguesa.

Reuters
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 12:18
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O relatório publicado hoje, 27 de Outubro, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), traz uma nova reflexão sobre os números da pobreza em Portugal. Os dados citados normalmente apontam para uma estabilização do número de pobres, com um ligeiro aumento em 2012. Segundo essa análise, Portugal tinha em 2012 uma taxa de pobreza de 18,7%, 0,8 pontos acima do valor de 2009 (17,9%). Porém, os técnicos da OCDE argumentam que essa análise não é a mais correcta.  

 

É que ao longo desse período, o rendimento mediano das famílias portuguesas foi caindo, o que fez também descer a "linha da pobreza" (medida por 60% da mediana do rendimento disponível). Isto é, uma família cujo rendimento tenha estagnado ao longo desses anos pode ter saído do grupo dos pobres simplesmente porque muitos à sua volta passaram a ganhar menos. "Pessoas que eram pobres em 2009 pode ter deixado de o ser em 2012, não devido a uma melhoria do seu rendimento, mas simplesmente porque o limiar da pobreza caiu em paralelo com o rendimento mediano", pode ler-se no relatório.

 

A OCDE propõe por isso que se analise a evolução dos dados da pobreza utilizando um limiar de pobreza fixo. Ou seja, o que aconteceria se a linha da pobreza em 2012 fosse a mesma de 2009 (ajustada à inflação)? Os resultados são bem mais negativos do que mostram os dados oficiais, revelando que, entre 2009 e 2012, a taxa de pobreza aumentou de 17,9% para 24,7%.

 

Os jovens continuam a ser a faixa etária mais afectada, com uma taxa de pobreza de 30,9% até aos 17 anos (era 22,4% em 2009). Os dados da OCDE revelam também um aumento significativo – de 15,7% para 23,7% - para os indivíduos entre os 18 e os 64 anos. Os idosos não sofreram agravamentos significativos da sua taxa de pobreza, reflexo, argumenta a OCDE, de não serem afectados pela degradação do mercado de trabalho e pelo facto de os cortes nas pensões não terem sido dirigidos a reformas de valor mais baixo.

 

"O crescimento da pobreza ocorreu maioritariamente entre a população em idade de trabalhar, bem como em crianças e jovens. Entre aqueles que têm 17 ou menos anos, quase um terço estava abaixo da linha de 60% do rendimento mediano disponível", escreve a OCDE.

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