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Pires de Lima: É fundamental não regressar a um modelo de crescimento assente no consumo

O ministro da Economia, Pires de Lima, criticou implicitamente o modelo de crescimento da economia, assente no consumo, subjacente ao programa de Governo do PS.

Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 02 de Setembro de 2015 às 13:35
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O ministro da Economia, António Pires de Lima, alertou esta terça-feira, 2 de Setembro, para os riscos de Portugal regressar a um modelo de crescimento económico alicerçado no consumo privado, considerando que isso significaria comprometer o equilíbrio das contas externas e regressar a um modelo que, no passado, forçou o país a pedir a intervenção da troika e a pagar "um preço muito elevado".

Numa altura que se discutem modelos de crescimento, "é importante perceber a pressão sobre as conta externas um crescimento potencialmente excessivo do consumo privado", disse, ao criticar implicitamente o modelo de crescimento da economia subjacente ao programa de governo do PS.

Analisando os dados do INE relativos ao segundo trimestre, Pires de Lima salientou o bom desempenho do sector exportador e a perspectiva de o país fechar as contas de 2015, pelo terceiro ano consecutivo, com um saldo externo positivo. "As contas externas mantêm um registo positivo devido ao forte crescimento das exportações e porque o consumo privado tem crescido mais, mas a taxas razoáveis".


É, por isso, "importante, diria fundamental, que a trajectória que está a ser seguida na confiança e na atracção de investimento pelas empresas seja acompanhada de uma recuperação do consumo, mas moderada".


Entre Abril e Junho deste ano, o PIB registou o mesmo ritmo de crescimento homólogo que o trimestre anterior (1,5%), reflectindo uma aceleração significativa da procura interna que, de um contributo positivo de 1,8 pontos percentuais, passou para 3,4 pontos. Apesar da semelhança de ritmo de crescimento, o INE aponta que a sua composição foi diferente, "acentuando-se o crescimento da procura interna". "Efectivamente, as três componentes da procura interna apresentaram variações homólogas mais elevadas: o consumo privado de 2,5% no primeiro trimestre para 3,3% no segundo trimestre, o consumo público de -0,4% para +0,5% e o investimento de 1,7% para 7,0%", acrescentam os técnicos do INE. 

Já no que diz respeito à procura externa líquida - exportações menos importações - observou-se um agravamento do seu contributo negativo para o PIB, agora nos -1,9 pontos percentuais (-0,3 pontos no trimestre anterior), "verificando-se uma aceleração das importações de bens e serviços a um ritmo superior ao das exportações de bens e serviços", refere INE. O resultado desta evolução foi uma diminuição do excedente externo que, em termos nominais, passou de 1% do PIB para 0,2%. 


Em reacção, os socialistas consideram que o crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre é positivo, mas reflecte o "falhanço" da política do Governo, porque está suportado na procura interna. De acordo com Mário Centeno, é um resultado alavancado pelo endividamento e pelo crédito.

Como em poucos momentos da História eleitoral recente, a coligação PSD/CDS e o PS apresentam duas visões claras sobre como colocar a economia nacional de novo na senda do crescimento económico. O primeiro sublinha a necessidade de uma grande cautela no estímulo da procura (principalmente o consumo), enquanto o segundo considera essa dinamização como uma necessidade, através de, por exemplo, uma reposição mais veloz dos cortes salariais da Função Pública e da eliminação da sobretaxa.

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