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Portugal ultrapassado pelos países de Leste? Fórum para a Competitividade quer grupo de trabalho

O Fórum para a Competitividade afirma que se impõe estudar o que está a ser feito nos países do Leste europeu para que estes estejam a apanhar Portugal em termos económicos.

Pedro Ferraz da Costa, presidente do conselho diretivo do Fórum para a Competitividade. Miguel Baltazar
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 03 de Março de 2020 às 11:23
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O Fórum para a Competitividade quer que o Governo crie um grupo de trabalho para analisar as políticas económicas dos países da coesão, um bloco europeu que está quase a apanhar Portugal em termos económicos. Esta recomendação surge após o alerta dado pela Comissão Europeia na semana passada sobre a falta de convergência da economia portuguesa com a média europeia.

"Não podemos ficar parados à espera que todo este desastre se concretize sem fazer nada para o contrariar", alerta o Fórum para a Competitividade na nota de conjuntura de fevereiro divulgada esta terça-feira, 3 de março. O objetivo é estudar o que está a ser feito nesses países para que consigam "tão bons resultados e Portugal compare tão mal com eles". 

A sugestão do Fórum é que seja criado um grupo de trabalho que conte com a presença do Ministério da Economia, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, das universidades, das associações patronais e das centrais sindicais - isto se estas estiverem "disponíveis para pressionar as alterações que permitem aumentos salariais muito maiores nos países de referência do que em Portugal". O próprio think tank diz-se disponível para integrar o grupo de trabalho.

Na semana passada, na análise aprofundada à economia portuguesa, a Comissão Europeia alertou que os 10 países que entraram na União Europeia em 2004 cresceram de tal forma nos últimos 15 anos que estão prestes a ultrapassar Portugal no PIB per capita. São eles o Chipre, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta, Eslováquia, Eslovénia, Polónia, República Checa e Hungria.

É o PIB per capita (população), medido em paridades de poder de compra, o que permite comparar países com moedas e níveis de preços diferentes, que mostra essa evolução diferenciada. Em 2000, o PIB per capita de Portugal correspondia a 80% da média europeia e o dos países do Centro e Leste Europeu a pouco mais de 50%. 18 anos depois, o primeiro baixou para 77% e o segundo subiu em flecha até aos 75%. 

Portugal poderá piorar ainda mais
A situação já não é favorável para Portugal, mas o Fórum para a Competitividade pinta um cenário futuro ainda mais negro ao extrapolar os resultados dos últimos quatro anos para o período até 2024. Nesse cenário, "Portugal seria ultrapassado pela Hungria, Roménia, Polónia e Letónia, ficando a ser um dos quatro países mais pobres da UE", estima o Fórum. 

Indo mais longe, em 2031, Portugal seria ultrapassado pela Croácia e depois pela Grécia, tendo em conta as previsões mais recentes da Comissão Europeia. "Portugal ficaria então o segundo país mais pobre da UE, só à frente da Bulgária, passando para o último lugar dentro de vinte anos", lê-se na nota de conjuntura.

Possíveis recomendações passam pela redução dos impostos
Do grupo de trabalho que é sugerido "deverão sair recomendações de política que haveria vantagem em distinguir pelo período temporal". 

No curto prazo, o Fórum recomenda que o Governo simplifique os licenciamentos e a burocracia "em geral". A médio prazo, a prioridade deverá ser baixar os impostos para estes "convergirem com os dos países da coesão". Contudo, será necessário criar margem orçamental para acomodar a menor receita fiscal, "o que não se conseguirá no imediato", admite. 

A longo prazo, o destaque vai para a necessidade de um investimento "significativo" na escolaridade e nas qualificações dos trabalhadores portugueses. "O que não é minimamente aceitável é, 30 anos depois da queda do muro de Berlim, continuar a assumir aquela vantagem [maior nível de educação nos países do Leste europeu] como uma característica caída do céu, imutável, sobre a qual não é imperioso fazer nada", critica o Fórum.
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