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Portugal atrás no ranking de competitividade composto por países do Sul e Leste da Europa

As economias do Sul perdem para as do Leste da Europa no campeonato da competitividade. Entre as seis dimensões consideradas, o investimento e o endividamento são as duas em que Portugal pontua pior.

Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 21 de Maio de 2013 às 13:30
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Entre oito economias do Sul e do Leste Europeu, Portugal só é mais competitivo que a Grécia e pontua ao lado de Itália e Espanha. Os três países do Sul perdem para Eslováquia, Polónia, Republica Checa e Hungria, mostra um ranking de competitividade desenvolvido pela CGD em parceria com a empresa de consultoria de Augusto Mateus, e apresentado esta manhã no edifício sede do banco público.

 

O índice sintético de competitividade é construído a partir de 48 indicadores agrupados em seis dimensões consideradas relevantes para a definição da competitividade de um País: crescimento actual e potencial, emprego e salários, investimento e poupança, globalização medida pela inserção nos fluxos de comércio internacional, endividamento e posicionamento na implementação da “Europa 2020”, a estratégia de competitividade europeia.

 

“Este exercício permite clarificar as forças e fraquezas de Portugal face aos restantes sete parceiros considerados no contexto europeu” lê-se na apresentação do trabalho. “Queremos criar uma grelha que nos permita daqui para frente fazer uma actualização regular entre as economias que consideramos pares”, afirmou na sessão de apresentação Rui Moreira de Carvalho, director no gabinete de estudos da CGD.

 

A escolha das oito economias respeitou três critérios: terem um nível de vida inferior à média da União Europeia, não diferirem em mais de 30% do nível de vida português e terem pelo menos metade da população portuguesa, explicou o responsável na CGD e assessor do Conselho de Administração.

 

“O que está aqui em causa não é Champions League, é mais o “second tier” da competitividade na Europa”, disse por seu lado José de Matos, o presidente da CGD, classificando de “interessante” a escolha destes sete países por serem as economias europeias mais próximas da estrutura económica portuguesa.

 

Endividamento e investimento penalizam competitividade nacional

 

Entre as seis dimensões consideradas, o investimento e o endividamento são as duas em que Portugal pontua pior, ficando em penúltimo lugar em ambas. A melhor pontuação é conseguida na implementação da estratégia Europa 2020. E em termos de crescimento e emprego o País ocupa o meio da tabela.

 

No caso do investimento, onde supera apenas a economia grega, a economia portuguesa é muito penalizada pela recessão dos últimos anos, conseguindo apenas destacar-se pela positiva na situação no mercado residencial, o qual beneficia do facto do País não ter experimentado uma bolha neste mercado.

 

“Não há competitividade sem investimento”, afirmou Gonçalo Caetano, da Augusto Mateus, considerando que “esta é a evolução que nos devia preocupar mais que tudo”, salientando não apenas o recuo no investimento, mas também as dificuldades de concessão de crédito à economia e a importância de promover a recapitalização das empresas nacionais, excessivamente endividadas e financiadas por capitais alheios.

 

O elevado endividamento do sector privado e a posição negativa de investimento internacional dão os principais contributos para o mau posicionamento do país na dimensão “endividamento”, conclui-se do “ranking” da CGD. Também aqui apenas a Grécia fica pior.

 

Portugal fica na quarta posição nas dimensões emprego e crescimento. Em termos de dinamismo da actividade económica Polónia, Eslováquia e Espanha ocupam o pódio, com a economia nacional a destacar-se pelo desempenho externo positivo, sendo penalizada pela debilidade da procura interna, onde se inclui o consumo das famílias, mas também o investimento.

 

“Estamos a aproveitar muito bem as oportunidades de crescimento” das exportações para a Zona Euro, afirmou Rui Moreira de Carvalho da CGD, explicando ao Negócios que considera que “temos conseguido um aumento de competitividade de forma dura para quem tem empregos”, pois está “a descer o valor nominal dos ordenados”, um ajustamento que considera no entanto necessário também devido ao elevado nível de desemprego.

 

No mercado de trabalho, Portugal fica atrás da República Checa, Polónia e Itália penalizado essencialmente pela elevada taxa de desemprego que disparou no últimos anos – embora não tanto como Grécia ou Espanha - e beneficiando essencialmente de uma elevada taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho. 

    

Nos restantes dois indicadores, globalização e desempenho na implementação da estratégia de competitividade europeia (Europa 2020) Portugal ocupa a quinta e a terceira posições, respectivamente.

 

A penalizar o posicionamento nacional nas dinâmicas da globalização está a baixa rendibilidade dos sectores transaccionáveis e o mau desempenho em termos de quotas de mercado das exportações. A justificar a boa posição relativa em termos de implementação da estratégia europeia de desenvolvimento está a aposta nas energias renováveis e em investigação e desenvolvimento.

 

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