Conjuntura Preços crescem na Zona Euro pela primeira vez em seis meses (act.)

Preços crescem na Zona Euro pela primeira vez em seis meses (act.)

A inflação na Zona Euro em Maio terá sido de 0,3%: o primeiro aumento de preços em termos homólogos dos últimos seis meses, o que coloca a Zona Euro mais longe da deflação. BCE reúne-se quarta-feira em Frankfurt para decidir política monetária.
Preços crescem na Zona Euro pela primeira vez em seis meses (act.)
Rui Peres Jorge 02 de junho de 2015 às 10:22

O preço do cabaz representativo de bens e serviços adquiridos pelos consumidores da Zona Euro terá aumentado 0,3% em Maio face ao mesmo mês de 2014, revelou terça-feira, o Eurostat, o gabinete de estatística da União Europeia.

O valor da inflação – ainda uma estimativa rápida – saiu ligeiramente acima da expectativa dos analistas consultados pela Bloomberg (0,2%) e representa o primeiro aumento homólogo de preços em seis meses. Os números são conhecidos um dia antes da reunião do Banco Central Europeu dedicada à avaliação e decisão de política monetária. O risco de deflação fica mais longe.

 

A inflação subjacente, a que exclui os bens energéticos e alimentares – cujos preços são mais voláteis – também acelerou em Maio, de 0,7% para 0,9%, o ritmo mais rápido em nove meses, mas ainda assim uma aceleração menor que a inflação total (que subiu de 0% para os 0,3%), puxada também em parte pela recuperação dos preços do petróleo.

 

Os números para a região reflectem as evoluções que já tinham sido conhecidas para as principais economias da região nos últimos dias: 0,2% em Itália (a primeira subida em cinco meses), -0,2% (mas uma melhoria de 0,4 pontos face aos -0,6% de Abril) e 0,7% (o valor mais elevado em nove meses). Em Portugal a inflação também subiu para 0,4%, ficando em terreno positivo pelo segundo mês consecutivo.

 

"A ameaça da inflação evaporou. Os preços do petróleo estão a juntar pressão  à inflação subjacente, e apesar desta permanecer fraca, não é consistente com deflação", afirma à agência Bloomberg  Marco Valli, economista-chefe para a Zona Euro do Unicredit em Milão. O especialista aponta para que a inflação na região se aproxime de 1% no final do ano, e ronde os 1,5% em média em 2016.

 

BCE deverá reforçar intenção de comprar activos até final de 2016

Estes serão dados relevantes na avaliação da situação económica da Zona Euro que amanhã será partilhada pelo presidente do Banco Central Europeu, na habitual conferência de imprensa que se segue à reunião do Conselho que decide juros. Quarta-feira o banco central divulga também a actualização das suas previsões macroeocnómicos, que compararão com os valores de Março de crescimento de 1,5% em 2015, 1,9% em 2016 e 2,1% em 2017, e de inflação de 0% em 2015, 1,5% em 2016 e 1,8% em 2017.  

 

Não são esperadas alterações na política monetária da Zona Euro. A recuperação na inflação tem sido acompanhada de uma recuperação ainda lenta da actividade económica, o que tem levado vários analistas a considerarem que Mario Draghi deverá reforçar o compromisso do BCE de continuar com o sue o programa de compra de activos até Setembro de 2016.

 

"Não são esperadas decisões na reunião de quarta-feira, mas o presidente do BCE Mario Draghi deverá usar a conferência de imprensa depois da reunião para contrariar a recente pressão em alta sobre as taxas de juro da Zona Euro", escreveu Christian Schulz, economista do Berenberg em Londres,  numa nota a clientes, na qual acrescenta que " esperamos que adopte um tom cauteloso quanto às perspectivas económicas, que dê um compromisso claro para continuar com a expansão quantitativa, e que avise os governos sobre reformas estruturais".   

 

O BCE está no final dos primeiros três meses do seu programa de compra alargada de dívida de 1,1 biliões de euros, a um ritmo médio de 60 mil milhões mensais até Setembro de 2016. No final da semana passada o banco central acumulava no seu balanço 238 mil milhões de euros em activos (já vinha comprando dívida privada desde o final do ano passado), dos quais 61% dizem respeito a dívida pública, a qual está no centro do programa de compra alargada de títulos.

 

(Notícia em actualizada às 11:16)

 

 




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