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Queda homóloga nos preços foi a maior desde a recessão de 2009

Uma variação homóloga negativa no índice de preços do consumidor é coisa muito rara em Portugal. Aconteceu em Outubro, com os preços a registarem a maior descida em quatro anos.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 12 de Novembro de 2013 às 13:06
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O índice de preços do consumidor (IPC) registou uma descida de 0,2% em Outubro, contra o mesmo mês do ano passado, naquela que foi a redução mais acentuada desde Novembro de 2009, altura em que a economia portuguesa sofria uma forte recessão.

 

Esta queda nos preços em termos homólogos que se verificou em Outubro é rara mas não é inédita. Uma pesquisa na base de dados do INE mostra que o IPC também desceu em Fevereiro deste ano, embora a uma taxa bem inferior (0,03%).

 

Para encontrar mais variações negativas é preciso recuar a Dezembro de 2009, mês em que os preços recuaram 0,05%, colocando fim a uma série de dez meses, de Março a Dezembro de 2009, sempre com quedas homólogas nos preços.

 

2009 foi um ano de recessão para a economia portuguesa e mundial, devido à crise financeira despoletada com a falência do Lehman Brothers um ano antes. O PIB de Portugal recuou 2,5% nesse ano, numa altura em que as principais economias mundiais estavam todas em recessão, até mais intensa do que a verificada em Portugal.

 

A maior queda de preços foi registada em Setembro de 2009, mês em que o IPC recuou 1,66% face a Setembro de 2008.

 

Recuando desde este período até 1978 (ano em que o INE começou a publicar dados com a actual série da inflação) nunca mais a inflação homóloga em Portugal registou taxas de variação negativas.

 

Ao contrário do que aconteceu em 2009, a queda no IPC em Outubro deste ano até acontece numa altura em que a economia está a recuperar. O PIB cresceu 1,1% no segundo trimestre do ano face aos três meses anteriores e na quinta-feira, 14 de Novembro, segundo as previsões dos economistas, o INE deverá anunciar que a economia continua em terreno positivo na comparação em cadeia.

 

Queda do petróleo justifica descida do IPC

 

Habitualmente a descida dos preços é associada a períodos de contracção económica, com os agentes económicos a ajustarem os preços para fazerem face à queda da procura. Esta tendência ajudará a explicar a descida da inflação em Portugal nos últimos meses (a variação média do IPC nos últimos 12 meses continua em terreno positivo mas em queda há mais de 12 meses), sendo que a principal justificação para a queda no IPC em Outubro está nos preços dos combustíveis.

 

Os dados do INE mostram que o índice que mede os preços dos “Combustíveis e lubrificantes para equipamento de transporte pessoal” situou-se em 93,88 pontos em Outubro, o que traduz uma queda de 7,6% face ao mesmo mês do ano passado.   

 

Em 2009 também foi a redução acentuada dos preços dos combustíveis que justificou a queda do IPCF, já que o petróleo afundou para valores inferiores a 40 dólares por barril em resultado da forte recessão que penalizou a economia mundial.

 

Ou seja, não se trata de queda generalizada dos preços, mas antes de uma pressão em baixa no IPC derivada da menor procura interna, associada a um período de forte retracção nos preços dos combustíveis, um produto com peso importante no conjunto de bens e serviços que o INE utiliza para calcular o IPC. 

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