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Quem está contra e a favor da aproximação de António Costa à esquerda

As negociações do Partido Socialista com o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda motivaram várias críticas a António Costa. Os comentários negativos vieram essencialmente de facções do PS ideologicamente mais próximas do centro ou de personalidades fiéis a António José Seguro. No entanto, casos como o de Sérgio Sousa Pinto não se enquadram exactamente neste perfil.

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 12 de Outubro de 2015 às 19:06
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Estas eleições legislativas trouxeram uma novidade: as soluções governativas não têm de passar apenas por três partidos. Mesmo que as negociações à esquerda acabem por não dar frutos - e o PS apoiar um governo da coligação PSD/CDS-PP - as negociações que já tiveram lugar até agora motivaram algumas reacções violentas dentro do partido. 

Alguns socialistas com mais ou menos peso no PS sublinham que o fosso entre os socialistas e comunistas e bloquistas é muito maior do que aquele que os separa da coligação de direita. Até Carlos Silva, secretário-geral da UGT, se manifestou contra uma solução à esquerda. 

Não houve, obviamente, apenas comentários negativos e é normal que os apoiantes das negociações sejam mais discretos nos seus comentários até que elas estejam concluídas. Ainda assim, alguns elementos próximos de António Costa defenderam a estratégia seguida pelo líder socialista de dialogar com todos os partidos eleitos para o Parlamento, considerando também soluções de esquerda. 

OS CRÍTICOS




Álvaro Beleza

"Temos de ser humildes. As coisas não correram bem, os portugueses votaram e temos de permitir que haja um governo e que seja primeiro-ministro quem ganhou. Sabendo ele [Passos Coelho], porém, que vai ter de conversar com o PS, é isso que os portugueses querem, que o Governo não aplique todas aquelas medidas que tem aplicado ao longo destes anos, nomeadamente nas áreas sociais, saúde, segurança social".

7 de Outubro, TVI



Francisco Assis

"Julgo que não é pensável um Governo do PS, um Governo monopartidário, com o apoio parlamentar do PCP e Bloco de Esquerda."

"Não havendo maiorias absolutas o que me parece a solução mais adequada era que se constituísse um Governo da coligação que ganhou, e houvesse da parte do Partido Socialista  um papel de partido de oposição."

8 de Outubro, TVI



Vital Moreira


[O PS está a] "brincar com o fogo ao negociar o cenário pós-eleitorais com a extrema-esquerda parlamentar sem excluir à partida a hipótese de uma aliança de governo".

"Primeiro, a visceral hostilidade anti-socialista de ambos, como se o PS fosse o seu inimigo principal, não facilita nenhuma coabitação leal. Segundo, há uma manifesta incompatibilidade entre as suas propostas e as exigências de rigor orçamental a que Portugal se encontra vinculado, o que os levaria a tirar o tapete ao governo ao primeiro orçamento. Terceiro, e sobretudo, entre o PS e a esquerda radical não há só uma diferença de grau, mas uma diferença de natureza e de filosofia política. A chamada esquerda declina-se no plural."

8 de Outubro, Jornal i



Vera Jardim


"Vejo um diálogo com a coligação. À esquerda não vejo capacidade de diálogo nenhuma"


6 de Outubro, 
Renascença








António Galamba

"Não é normal o PS não ganhar estas eleições. Fracassados os objetivos políticos, resta a ambição pessoal: a anunciada eventual manutenção do poder a todo o custo. Depois de quatro anos de vale tudo à direita, a tentação de um vale tudo à esquerda. Uma solução sem respeito pela vontade popular, ao arrepio dos valores republicanos e democráticos que comemoramos amanhã, a 5 de Outubro."

5 de Outubro, Lusa




Sérgio Sousa Pinto

[O ex-líder da JS demitiu-se do Secretariado Nacional do PS no final da semana passada. Pouco tempo antes publicou um texto na sua página de facebook pessoal.]

"Aparentemente o BE e o PCP estão dispostos a viabilizar um governo do PS, um governo com menos deputados socialistas no Parlamento que a coligação de direita. Mas não estão disponíveis para integrar o governo e partilhar a responsabilidade de governar. O que se seguiria seria fácil de imaginar. Uns a pensar no país, outros a pensar na sua plateia, outros ainda a pensar em eleições e na maioria absoluta. A esta barafunda suicidária, sem programa nem destino certo, chamar-se-ia "governo de esquerda" - coisa que nem os eleitores do bloco desejaram, optando pelo partido do protesto histriónico (e agora fanfarrão). Um penoso caos que entregaria Portugal à direita por muitos anos. Mas talvez permitisse ao BE suplantar o PS. E não é essa a verdadeira agenda, velha de 40 anos, de quem se reclama "da verdadeira esquerda"? Talvez me engane".

10 de Outubro, Jornal i



Francisco Seixas da Costa

"Repito o óbvio: o PS perdeu estas eleições. Por isso, estava e deve continuar na Oposição, embora agora numa posição mais forte do que aquela que tinha. Um seu regresso ao Governo só deve processar-se através de novas eleições, não por "maiorias" contranatura à sua direita, nem por alianças oportunistas, não menos bizarras, com o Bloco de Esquerda ou com o PCP. Porquê? Porque isso está fora da ordem natural das coisas para uma formação política com uma história ímpar de responsabilidade política no Portugal democrático. Não tenho dúvidas que António Costa sabe isto."

9 de Outubro, Jornal de Notícias



João Proença

"PS e Bloco de Esquerda não têm maioria face à coligação Portugal à Frente e, quanto a mim, uma coligação com o Partido Comunista seria coligação antinatura."

6 de Outubro, Renascença








Carlos Silva

"Não me parece que efectivamente as forças à esquerda do Partido Socialista, dêem, na minha opinião, a garantia de estabilidade em relação ao futuro."

11 de Outubro, Antena 1








Comunicado da UGT

"Gostaríamos de esclarecer que a opinião expressa apenas vincula a pessoa do secretário-geral da UGT e não uma posição da central ratificada nos seus órgãos sociais."

12 de Outubro





OS APOIANTES



António Correia de Campos

Logo na noite das eleições, o ex-ministro da Saúde sublinhou a perda de maioria absoluta da coligação PSD/CDS: "Agora abre-se, daqui para diante, um espaço muito importante para negociação".

Hoje, escreve no Público: "Existe o passado, os comportamentos no PREC, a história internacional da extrema-esquerda, mas também a queda do muro de Berlim. Não é conhecida ainda a posição oficial do Bloco. Muitos eleitores socialistas sentirão receios. Ao Bloco e ao PC incumbiria tranquilizá-los. Seriam capazes? Não há melhor pedagogia que a da prática, mas sobre o PS recairia a vigilância e a factura final. Não há homens providenciais, apenas homens comuns e as suas circunstâncias. Costa é um político bem preparado, experiente, governante calejado, dialogante e fazedor de pontes. Não é um super-homem. Terá ele condições para abrir o gueto da extrema-esquerda e devolver ao País a auto-estima que lhe foi retirada?"

12 de Outubro, Público



João Soares


"O PS deve comprometer-se seriamente na obtenção de uma maioria absoluta de esquerda, que permita ao país ter um Governo estável durante quatro anos, dispondo de uma maioria parlamentar absoluta. Isso consegue-se com uma negociação séria com o Bloco de Esquerda e com o PCP."

6 de Outubro, Renascença




João Galamba

"Mesmo não tendo sido o partido mais votado, mesmo tendo perdido as eleições, o PS, e em particular os deputados eleitos pelo PS, não podem ignorar que há uma maioria absoluta de deputados que têm um mandato para mudar de políticas e mudar de governo. É, neste momento, uma maioria negativa, que não garante, por si só, qualquer tipo de alternativa. Mas é obrigação do PS fazer todos os esforços para transformar essa maioria negativa numa maioria positiva. Devemos isso a quem votou em nós e devemos isso aos mais de dois milhões e meio de portugueses que votaram contra a manutenção em funções da ex-maioria e do ainda primeiro-ministro. Não o fazer, desistindo sequer de tentar, traduz-se numa violação do nosso mandato eleitoral."

12 de Outubro, Diário Económico



Augusto Santos Silva


"Se o PS sempre se queixou, e bem, do imobilismo do PCP, não pode agora tornar-se imóvel só porque o PCP se mexeu..."

"Se partirmos todos do princípio de que, em nenhuma circunstância e por nenhum motivo - mesmo quando os três partidos juntos têm muitos mais votos e mais deputados do que toda a direita - o PS pode aceitar governar com o apoio da sua esquerda, então o que estamos a dizer é o mesmo que a direita diz: que a direita tem um poder divino de governar em Portugal, mesmo quando não consegue ter a maioria eleitoral."


10 de Outubro, Facebook pessoal


Porfírio Silva

"A Direita gosta dos deputados do PCP e do BE para derrubar governos em conjugação. Mas não gosta deles para construir governos. É o perfeito retrato do oportunismo sem princípios. E também a confissão de que gosta mais do bota-abaixo do que de construir soluções."

11 de Outubro, Facebook pessoal



Manuel Alegre

"O PS não implodiu, teve um resultado honroso, não é para cantar vitória, mas mantém-se como a principal força de esquerda e como uma referência fundamental da democracia."

[Tenho] "anos suficientes de luta política e de PS" [para saber que] "a maioria esmagadora dos militantes está com António Costa".

5 de Outubro, TSF

 


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