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Risco de recessão global volta a estar à espreita, avisa FMI

Previsões de crescimento mundial foram hoje revistas em baixa. Reino Unido, Índia e Brasil sofreram os cortes mais amplos nos números deste ano. Espanha, maior cliente do único "motor" que tem puxado pela actividade económica portuguesa, levou a maior tesourada em 2013: estará em recessão durante pelo menos dois anos.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 16 de Julho de 2012 às 14:21
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A expectativa de que se poderia estar perante o início do fim da crise, gerada pelos dados surpreendentemente positivos do primeiro trimestre, não se confirmou: a economia mundial está de regresso a uma fase de tensão e de incerteza comparável com a do último Outono, quando a proposta de referendo na Grécia e subsequente demissão do Governo grego fez alastrar o fogo da crise da dívida soberana a Espanha e Itália.

Quem o afirma é o Fundo Monetário Internacional (FMI) que hoje actualizou as previsões para o comportamento das principais economias, esperando agora menos crescimento ou contextos recessivos mais profundos em praticamente todos os quadrantes do mundo, num cenário em que os riscos são "claramente negativos" sobretudo para a Europa que - alerta - tem de concretizar rapidamente uma união bancária e dar passos sólidos no sentido de uma união económica.

Comparando com o grande exercício semestral de previsões, divulgado em 4 de Abril, as novas previsões parcelares (não são, por exemplo, apresentados novos números para Portugal) reduzem uma décima ao crescimento global deste ano, que fica em 3,5%, precisamente no limiar abaixo do qual os economistas consideram estar-se perante uma recessão. Para 2013, o corte foi de duas décimas, para 3,9%.

Reino Unido, Brasil e Índia sofreram os cortes mais amplos (0,6, no primeiro caso; e 0,7 pontos percentuais nos dois últimos), mas permanecem em terreno positivo: 0,2% é a previsão para a evolução do PIB no Reino Unido; 2,5% é o novo valor para o Brasil e 6,1% é a previsão para a Índia. China crescerá também menos (8%, menos duas décimas) e o mesmo sucederá aos Estados Unidos, que deverão crescer 2,2%, menos uma décima do que se previa em Abril.

Para o agregado da Zona Euro não há mexidas nos números relativos a este ano, com o FMI a manter a previsão de uma contracção de 0,3% do PIB, seguida de uma recuperação mais modesta: 0,7% em vez de 0,9%.

A redução das expectativas para 2013 deve-se fundamentalmente a Espanha, quarta maior economia do euro e maior cliente do sector exportador português, que deverá permanecer pelo menos dois anos em recessão, com o PIB a recuar 1,5% (ainda assim menos que os 1,9% esperados em Abril), voltando a encolher 0,6% em 2013 (em Abril o FMI ainda esperava um crescimento residual de 0,1%).

Entre as grandes economias do euro, Espanha junta-se assim a Itália: terceira e quarta maiores economias do euro estarão em recessão neste ano e no próximo, calcula o FMI, que volta a renovar, em termos ainda mais dramáticos, o apelo para que Europa tome medidas rápidas e abrangentes que convençam os mercados de que a união monetária é um projecto que veio para ficar.

Já França e Alemanha manter-se-ão em terreno positivo, embora os números para 2013 tenham sido em ambos os casos também revistos em baixa, para 0,8% e 1,3%, respectivamente.



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