Conjuntura Travagem das exportações deverá impedir aceleração da Zona Euro no quarto trimestre

Travagem das exportações deverá impedir aceleração da Zona Euro no quarto trimestre

O índice PMI continua a derrapar, atingindo em Novembro mínimos de 47 meses. O crescimento económico está a ser afectado pela travagem das exportações.
Tiago Varzim 23 de novembro de 2018 às 09:56
A actividade económica da Zona Euro, em Novembro, cresceu ao ritmo mais baixo dos últimos quatro anos, segundo a estimativa rápida do índice compósito de gestores de compras (PMI) da IHS Markit publicada esta sexta-feira, 23 de Novembro. Mantém-se assim a trajectória que já tinha definido o terceiro trimestre, período em que o PIB da Zona Euro subiu 1,7%, a variação mais baixa desde 2014.

Os números sinalizam assim que dificilmente a economia deverá acelerar no quarto trimestre, recuperando folgo depois da acentuada desaceleração do terceiro trimestre. De acordo com a IHS Markit, os números sugerem que o crescimento em cadeia será de 0,3% no quarto trimestre (0,2% no terceiro trimestre).

PMI de Novembro fixou-se nos 52,4 pontos, abaixo dos 53,1 de Outubro e dos 53 estimados pelos economistas consultados pela Bloomberg. Este é o valor mais baixo desde Dezembro de 2014. 
A afectar o crescimento económico está principalmente o comércio internacional. Os dados mostram que a guerra comercial entre os Estados Unido e a China está a fazer estragos nas vendas ao exterior. A procura mundial diminuiu e isso teve reflexos no indicador das exportações europeias: registou a maior queda dos últimos quatros anos.

Um dos países mais afectados pela travagem das exportações foi a Alemanha. A actividade da economia alemã baixou para mínimos de 2014 com a indústria perto de estagnação em Novembro. O sector alemão dos serviços também expandiu ao ritmo mais baixo dos últimos seis meses.

Os sinais da economia levam o economista-chefe da IHS Markit, Chris Williamson, a ditar um "final do ano desapontante" na Europa. Uma interpretação semelhante à do Commerzbank: "Estes dados diminuem a esperança que o fraco crescimento económico do verão tenha sido uma excepção", lê-se numa nota do banco alemão desta sexta-feira.

A IHS Markit refere ainda que inicialmente a desaceleração era mais visível na indústria, mas já está a contagiar os serviços também. O índice PMI da indústria baixou para os 51,5 ao passo que o do serviços derrapou para 53,1, ambos com a pontuação mais baixa em mais de dois anos.

"A desaceleração também está a ser temporariamente exacerbada pela desilusão persistente nas vendas de carros", assinala Williamson, referindo que em Novembro acumularam-se sinais de que a procura dos consumidores e das empresas está a cair numa altura em que a incerteza política sobe, as condições de financiamento apertam e os preços aumentam. 

Em conclusão, "os dados sugerem que a fraqueza do PIB no terceiro trimestre não tenha sido um revés e que a tendência subjacente é de um crescimento económico lento", sintetiza o economista-chefe da IHS Markit.



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