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PCP critica Costa por apenas falar de pandemia no discurso de Natal

Da esquerda à direita, o primeiro-ministro está a ser criticado por centrar o discurso de Natal na pandemia, deixando de fora outros problemas. O último partido a reagir, este domingo, foi o PCP.

Miguel Baltazar
Negócios com Lusa 26 de Dezembro de 2021 às 12:13
O PCP criticou, este domingo, o primeiro-ministro por ter concentrado o discurso de Natal na pandemia, deixando de fora problemas como o desemprego ou aspetos laborais.

"Era preciso que a mensagem de Natal do primeiro-ministro apontasse uma perspetiva de resposta global aos problemas do país e do povo português, mas não foi isso que aconteceu", lamentou João Oliveira numa mensagem vídeo enviada às redações. "Era preciso uma resposta à situação de milhões de portugueses que vão atravessar esta quadra festiva enfrentando problemas de desemprego, de baixos salários ou baixas pensões, de horários trabalhos desregulados ou precariedade laboral, de falta de acesso à habitação ou risco de a perder, ou de falta de creches para os seus filhos", acrescentou o dirigente comunista.

João Oliveira entende ainda que, "mesmo em relação às questões da epidemia", António Costa "ficou-se pelo elogio ao Serviço Nacional de Saúde e aos seus profissionais". Sublinhando que "esse elogio é merecido", o presidente do Grupo Parlamentar do PCP considera que "mais importante teria sido o primeiro-ministro apontar uma perspetiva de concretização das medidas que há muito tempo estão identificadas como essenciais e decisivas na resposta à epidemia". E dá como exemplos "o reforço das equipas de saúde pública, a contratação de mais profissionais de saúde, a recuperação das consultas, dos exames e das cirurgias que ficaram em atraso ou até do pagamento do subsídio de risco aos profissionais de saúde".

"O PCP considera que essa é a resposta verdadeiramente necessária que é preciso dar, fazendo a opção da defesa dos interesses e dos direitos do país, dos trabalhadores e do povo e não da submissão às imposições da União Europeia ou aos interesses do grande capital e dos grupos económicos", conclui João Oliveira.

Oposição critica Costa em uníssono

A mensagem de Natal do primeiro-ministro, mais contida pela aproximação das eleições de janeiro, já tinha sido recebida com críticas por PSD, CDS, Bloco de Esquerda, PAN, Chega e Iniciativa Liberal. O PS foi o único a ver na mensagem da noite de Natal "confiança no futuro".

À hora dos telejornais, no sábado, o chefe do Governo salientou que a guerra contra a covid-19 ainda não acabou, considerou ser fundamental prosseguir o reforço vacinal em Portugal e elogiou o trabalho "inexcedível" dos profissionais de saúde e a resposta do SNS.

Depois de dois anos a governar em pandemia, que obrigou, por duas vezes, ao confinamento do país, António Costa realçou os resultados na recuperação económica, fez um elogio ao papel dos médicos e profissionais da saúde, e também admitiu: "Seguramente não conseguimos chegar sempre a tempo, nem sarámos ainda todas as feridas."

Na reação, o PSD, através do vice-presidente André Coelho Lima, classificou de "contida, geral e abstrata" a mensagem de Natal, do primeiro-ministro, por incidir "apenas e só" na pandemia, como se devesse apenas à covid aquilo que corre mal no país.

O CDS-PP, pela voz da candidata pelo Porto às legislativas, Filipa Correia Pinto, acusou o primeiro-ministro de querer resumir Portugal "à covid e ao medo da doença", rejeitando o "confinamento político em que António Costa quer encerrar" o país até às eleições de 30 de janeiro de 2022.

O Bloco de Esquerda lamentou que a mensagem tenha sido um "discurso monotemático" e não tenha tido "uma palavra" sobre a falta de professores ou o combate ao crime económico, apontando que se esperava "mais".

Já o presidente da IL, João Cotrim Figueiredo, considerou que o primeiro-ministro teve uma mensagem "sem esperança, sem uma ideia de futuro" e acusou António Costa de não perder "uma oportunidade de fazer propaganda".

Para o Chega, a mensagem de Natal não traz "nada de novo" e demonstrou uma "incapacidade" de António Costa se responsabilizar pelos problemas do país, além de "esquizofrenia política".

Pelo PAN, a líder, Inês Sousa Real, considerou que os profissionais de saúde, elogiados pelo primeiro-ministro, só serão reconhecidos com uma efetiva valorização das suas carreiras, das condições em que trabalham e um maior investimento no SNS.
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