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Continental fecha no dia 22 e manda 3.400 trabalhadores para casa em Famalicão

O grupo alemão, que tem várias fábricas em Portugal, entre as quais a gigante produtora de pneus Continental Mabor, vai acionar os créditos de férias de anos anteriores, débitos de horas extraordinárias existentes, majoração de férias do ano em curso e férias de 2020.

A fabricante de pneus continua a ser a quinta maior exportadora do país. Do volume total de pneus vendidos cerca de 98% tiveram como destino a exportação para 67 países em 2017.
Rui Neves ruineves@negocios.pt 19 de Março de 2020 às 09:28
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São cerca de 3.400 trabalhadores da Continental em Portugal, a maioria dos quais ao serviço de empresas do grupo instaladas em Famalicão, que vão estar em casa, pelo menos durante duas semanas, face à crescente expansão do coronavírus em Portugal.

 

"Como a saúde, segurança e bem-estar dos nossos colaboradores estão em primeiro, e, tendo em conta que queremos proteger todos os nossos colaboradores e  contribuir para a redução deste problema, decidimos avançar com a cessação da laboração", revelou ao Negócios fonte oficial da empresa.

 

"Assim, a administração decidiu suspender a laboração a partir do dia 22 de março por um período de duas semanas", tendo esta decisão sido "comunicada à comissão de trabalhadores", a qual "teve a sua recetividade e compreensão", garante a empresa liderada por Pedro Carreira.

 

Grande parte da produção da Continental Mabor foi já suspensa esta quarta-feira, 18 de março, mas ainda há trabalhos que têm que ser assegurados, pelo que a fábrica continuará parcialmente em laboração mais uns dias.

 

Para assegurar os pagamentos no tempo em que os trabalhadores ficam em casa, a empresa irá acionar "os créditos de férias de anos anteriores, débitos de horas extraordinárias existentes, majoração de férias do ano em curso e férias do ano em curso – preferencialmente as programadas para o final do ano (Natal e Ano Novo) -, por essa ordem, e dependendo do tempo em que a empresa estará parada", para assegurar os pagamentos no tempo em que ficam em casa.

 

Um conjunto de mecanismos que serve para "reduzir potenciais efeitos negativos na remuneração, por exemplo, o ‘lay off’", explica a mesma fonte oficial.

 

Os trabalhadores que já estavam em casa, em regime de teletrabalho, cessam a laboração e passam a estar abrangidos pelas normas de remuneração agora decretadas pela empresa.

 

Entretanto, esta terça-feira, a Continental anunciou que irá encerrar a sua unidade industrial de Palmela até ao final do próximo ano, o que irá implicar a dispensa dos seus atuais 370 trabalhadores.

 

Há 25 anos a produzir maxilas de travões dianteiros em Palmela, a multinacional alemã justifica o seu encerramento com "a queda do mercado global de automóveis de passageiros".

 

De acordo com o grupo germânico, "as estimativas atuais são significativamente mais baixas em comparação com as previsões de há um ano e meio e mostram que os volumes da produção automóvel continuam a cair".

 

Uma situação que "resulta igualmente na redução do mercado de maxilas de travão e, por consequência, na redução dos volumes de produção de Palmela", explica, em comunicado.

 

"A redução dos volumes cria uma capacidade excedentária e leva a uma crescente pressão num mercado cada vez mais focado na redução de custos. Estes efeitos exigem que agrupemos volumes e que usemos efeitos de escala para assegurar a nossa competitividade e para consolidar as nossas fábricas de maxilas de travão na Europa", afirma Bernhard Klumpp, o diretor-geral da unidade de negócios Sistemas Hidráulicos de Travagem da Continental.

Além da Continental Mabor e da Continental de Palmela, o grupo alemão detém muitas outras empresas em Portugal, como a Continental Pneus, Continental Indústria Têxtil do Ave, Continental Lemmerz ou a Continental Teves, constituindo um grupo que, no nosso país, fechou o último exercício com vendas que ultrapassaram os 1,2 mil milhões de euros.


(Notícia atualizada às 10:12)

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