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Empresa da Amorim só dá duas máscaras descartáveis por semana aos trabalhadores

A violação do prazo de validade de uma máscara descartável ocorre na Socori, indústria da Feira detida em 70% pela Corticeira Amorim, que promete “averiguar o sucedido” e alinhar “todas as medidas com as melhores práticas implementadas nas restantes unidades de negócio” do grupo.

Corticeira Amorim decide em junho
A Socori faz parte do grupo Bourrassé, produtora francesa de rolhas que é detida em 70% pela Corticeira Amorim. Jorge Miguel Gonçalves
Rui Neves ruineves@negocios.pt 18 de Junho de 2020 às 12:09
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A Socori - Sociedade de Cortiças de Rio Meão, situada em Santa Maria da Feira, apenas fornece duas máscaras descartáveis por semana aos seus trabalhadores, denuncia o Bloco de Esquerda (BE), que questionou já o Governo sobre esta situação, lembrando que a decisão daquela empresa "viola claramente o prazo de validade de uma máscara descartável, colocando em causa a saúde dos trabalhadores".

 

"No início da pandemia, esta empresa afixou a indicação que forneceria apenas uma máscara descartável por cada trabalhador a cada quatro semanas. Depois passou a ser uma por semana e agora, em alguns sectores, são duas por semana. Mas mesmo assim, continua a incumprir com as recomendações da Direção Geral de Saúde (DGS)", frisa o BE na pergunta que fez ao Governo.

 

Segundo as indicações da DGS, "a máscara deve ser colocada aquando da entrada na instituição, poderá ser mantida durante quatro a seis horas e, nessa altura, substituída - e substituir sempre que estiver húmida", lembra o mesmo partido.

 

"Relembramos que esta empresa foi adquirida pelo grupo Amorim num passado recente, esperava-se pelo menos se cumprisse escrupulosamente com as normas da DGS", sublinha.

De facto, a Socori faz parte do universo da Corticeira Amorim há já três anos. Foi em 2017 que o maior grupo mundial do setor comprou, por 29 milhões de euros, 60% da produtora de rolhas francesa Bourrassé, através da qual detém, ainda, a Socori em Portugal e a chilena Corpack.

 

Na altura, ficou definido que os restantes 40% serão adquiridos até 2022, "por um preço que, tomando por referência o valor já pago pelos primeiros 60%, dependerá ainda da evolução da ‘performance’ da Bourrassé nos próximos anos".

 

No quadro deste compromisso, a Corticeira Amorim adquiriu, há um ano, por cinco milhões de euros, mais 10% da Bourrassé, passando a deter 70% do seu capital.

 

Contactada diretamente pelo Negócios, a administração da Socori descartou a prestação de qualquer esclarecimento sobre esta matéria.

 

Já da Corticeira Amorim, fonte oficial do grupo afirmou que "a Socori é uma empresa recente no universo Amorim", mas cuja "gestão, nesta altura, é assegurada" pelos seus "sócios internacionais", sendo que "apenas em 2022 será integralmente gerida pela Corticeira Amorim".

"Todavia, vamos averiguar o sucedido, e tendo havido um desvio nos nossos procedimentos de combate à pandemia, alinharemos desde logo todas as medidas com as melhores práticas implementadas nas restantes unidades de negócio da Corticeira Amorim", garantiu o mesmo responsável do grupo liderado por António Rios Amorim.

 

"Despedido" trabalhador que usou máscaras de "uma caixa que encontrou no armazém"

 

Relativamente ao que se passa na Socori, o BE afirma que "esta situação está evidentemente a provocar alarme social junto dos trabalhadores, que obviamente temem pela sua saúde", acrescentando que esta empresa "apenas impõe estas limitações para setores da produção", enquanto "engenheiros, diretores e pessoal do escritório têm máscaras diferentes".

 

O BE avança, ainda, que teve também conhecimento que "um trabalhador desta empresa encontrou no armazém uma caixa de máscaras que levou para os balneários e começou a usá-las de acordo com as recomendações da DGS", tendo a Socori "suspendido e, depois, despedido este trabalhador".

 

Na pergunta formal enviada ao Governo, que deu entrada na Assembleia da República, esta quarta-feira, 17 de junho, o BE questiona o Governo sobre as alegadas más práticas laborais existentes na Socori.

 

"Tem o Governo conhecimento desta situação?"; "Que medidas serão adotadas perante este grave atropelo às normas de DGS cometido pela empresa Socori, que coloca em causa a segurança e saúde dos trabalhadores?"; "A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) realizou recentemente ações inspetivas nesta empresa? Se sim, quais as conclusões das mesmas?"; "Sabe o Governo informar que ações a ACT vai adotar para anular o despedimento ilícito ocorrido nesta empresa?", são as questões colocadas pelo BE ao Governo, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

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