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Empresas queixam-se de dificuldades no acesso aos apoios do Governo

Empresas inquiridas pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) criticam "sucessivas alterações às medidas" de apoio do Governo.

Miguel Baltazar
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 02 de Abril de 2020 às 07:00
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Um "bloqueio generalizado" no acesso aos apoios do Estado foi o que a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) identificou no último inquérito realizado junto das empresas. Entre os 162 empresários inquiridos, há 66% que criticam a "imprevisibilidade" das "sucessivas alterações às medidas" anunciadas pelo Governo para mitigar o impacto da covid-19.


O estudo publicado esta quinta-feira foi conduzido após o Executivo ter revelado as medidas de apoio às empresas, no dia 26 de março. Mais de metade das organizações não concorda com o critério de eligibilidade definido pelo Governo que limita os apoios às empresas que registem uma quebra da faturação de, pelo menos, 40%.


A obrigatoriedade de apresentar resultados positivos e de ter a situação fiscal regularizada são outros constrangimentos apontados pelas empresas.


Por considerar "urgente" que as empresas tenham acesso aos apoios, a Câmara de Comércio liderada por Bruno Bobone propôs ao Ministro da Economia "a criação de um gabinete de crise que fique responsável por promover a partilha de informação, emanada pelo Governo, para as empresas e também partilhar com este, as preocupações e dúvidas dos empresários de forma a facilitar o acesso às linhas de apoio", lê-se numa nota enviada pela CCIP.


Mais de 50% das empresas inquiridas pondera recorrer à possibilidade de pagar os impostos de forma faseada, enquanto 48% vão optar pelos pagamentos diferidos à Segurança Social. Entre os empresários questionados, 40% admitem vir a recorrer às linhas de crédito disponibilizadas pelo Governo, e 38% considera mesmo aderir ao regime de lay-off simplificado. Só 11% das empresas inquiridas descartam, para já, recorrer a alguma das soluções propostas.


O estudo revela ainda que 9% das organizações não conseguiram assegurar as obrigações salariais e fiscais de março. E, para 35% dos inquiridos, vai ser impossível aguentar mais de 30 dias "sem receber um apoio para as necessidades de tesouraria".


A escassez de matérias-primas como consequência da pandemia afetou, até ao momento, 23% das 162 empresas inquiridas. Uma percentagem maior, a rondar os 75%, confessa estar a sentir um impacto negativo ao nível das vendas no mercado nacional.

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