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Marcelo: Subida da dívida pública é inevitável mas credores acreditam em Portugal

Num excerto de uma entrevista à Antena 1 hoje divulgado, questionado se há espaço para o país se endividar mais, Marcelo Rebelo de Sousa responde: "Sabe que quando não há outro remédio, tem de ser".

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Lusa 14 de Janeiro de 2021 às 08:37
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O Presidente da República e recandidato ao cargo considera que é inevitável Portugal endividar-se mais, face às consequências da pandemia de covid-19, mas que os credores acreditam na capacidade de gestão orçamental do país.

Num excerto de uma entrevista à Antena 1 hoje divulgado, questionado se há espaço para o país se endividar mais, Marcelo Rebelo de Sousa responde: "Sabe que quando não há outro remédio, tem de ser".

Interrogado, depois, sobre qual o limite para o endividamento do Estado, o Presidente da República e candidato às presidenciais de 24 de janeiro realça que "até agora tem sido surpreendente" o resultado das emissões de dívida portuguesa nos mercados internacionais.

"Por exemplo, tivemos uma emissão de dívida a dez anos pela primeira vez negativa, com taxas de juro negativas", assinala, concluindo: "Quer dizer, os credores estão a acreditar na capacidade de gerir o Orçamento e de não entrar numa perda irreversível ou muito grave em termos de dívida pública".

Marcelo Rebelo de Sousa refere que "há uma parte do financiamento europeu que é para a saúde, e há de chegar", mas chama a atenção para os custos globais dos efeitos da pandemia de covid-19 na economia, comparando-os com a chamada "bazuca" de apoios da União Europeia.

"A pandemia vai custar toda, e provavelmente não se sabe se não custa mais, tanto quanto o valor da bazuca, tirando o quadro financeiro multianual. Portanto, a bazuca bazuca, correspondente ao Plano de Recuperação e Resiliência, vai valer 15 mil milhões, 16 mil milhões, que é, tudo somado, quando fizermos contas, um ano ou mais de um ano, um ano e meio de pandemia", calcula.

A propósito dos prejuízos económicos que resultarão do confinamento decidido na quarta-feira pelo Governo, o chefe de Estado e recandidato ao cargo apoiado por PSD e CDS-PP argumenta que também é preciso ter em conta o que aconteceria num cenário de agravamento continuado da covid-19 em Portugal.

"Se a pandemia se agrava ao ritmo a que se estava a agravar, isto quer dizer prolongar a pandemia. Prolongar a pandemia significa prolongar a crise, mais X meses de pandemia são mais X meses de crise profunda. Portanto, as pessoas têm de ver, mesmo do ponto de vista da economia e da sociedade, o não tentar conter e travar e inverter a tendência significa termos o primeiro trimestre perdido, entrava-se no segundo trimestre numa situação desgraçada, e o que isso significaria em metade do ano para a economia e para a sociedade", aponta.
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