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Suécia revela ‘lentidão’ na imunidade de grupo à covid-19

A abordagem da Suécia para combater a covid-19 está entre as mais polémicas do mundo. Ao contrário do resto da Escandinávia, onde governos rapidamente impuseram quarentenas rigorosas, a Suécia aconselhou os cidadãos a adotarem regras de distanciamento social, mas deixou a maior parte das atividades em funcionamento.

Bloomberg 17 de Junho de 2020 às 20:30
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A Suécia avançou menos do que o esperado no objetivo de conseguir a chamada imunidade coletiva [de grupo] ao coronavírus, de acordo com o epidemiologista do governo.

 

Depois de manter escolas, lojas e restaurantes abertos durante a pandemia, as taxas de contágio na Suécia são muito mais altas do que em qualquer outro lugar da região nórdica. A taxa de mortalidade da covid-19 está entre as piores do mundo. Os cientistas estão ansiosos por saber se o outro lado do contágio generalizado é um nível mais alto de imunidade.

 

Mas, de acordo com Anders Tegnell, epidemiologista do governo da Suécia, "as tendências de imunidade têm sido surpreendentemente lentas". "É difícil explicar por que isso acontece", acrescenta.

 

Em entrevista à rádio sueca na quarta-feira, Tegnell disse que é importante lembrar "que existe um atraso em todas essas medições".

 

Uma análise de 50 mil testes realizada pela Werlabs, uma empresa privada, mostra que cerca de 14% das pessoas testadas nas últimas seis semanas na região de Estocolmo desenvolveram anticorpos para a covid-19. O número compara com um estudo publicado este mês sobre Bérgamo – que foi o epicentro da covid-19 em Itália –, segundo o qual 57% das pessoas testadas tinham desenvolvido anticorpos.

 

Na Suécia, "o número de casos imunes hoje está muito mais próximo das nossas previsões do que antes", disse Tegnell à rádio sueca. "Os 14% dos testados são de duas ou três semanas atrás, o que significa que os níveis de imunidade são mais altos hoje".

 

A abordagem da Suécia para combater a covid-19 está entre as mais polémicas do mundo. Ao contrário do resto da Escandinávia, onde governos rapidamente impuseram quarentenas rigorosas, a Suécia aconselhou os cidadãos a adotarem regras de distanciamento social, mas deixou a maior parte das atividades em funcionamento.

 

Alguns analistas esperavam que, com a quarentena mais suave, a economia tivesse melhor desempenho do que outras. Mas a alta taxa de mortalidade no país provocou um impacto considerável, e uma pesquisa recente indicou que a maioria dos suecos perdeu a confiança na estratégia do país para combater o vírus.

 

Tegnell e o primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven, insistem que a estratégia do país é a correta. Eles baseiam-se no pressuposto de que a covid-19 ainda vai permanecer por muito tempo. Por isso, quarentenas de curto prazo não ajudarão, e os governos têm de criar modelos mais sustentáveis para conviver com o vírus.

 

Na quarta-feira, o número de mortos na Suécia por covid-19 ultrapassou os cinco mil, e os parlamentares do país fizeram um minuto de silêncio para homenagear as vítimas.

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