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Despacho de Gaspar obriga Cinemateca a um "afastamento" dos padrões habituais

A direcção da Cinemateca considera que os actuais constrangimentos orçamentais levaram a um “afastamento dos padrões que marcaram a actividade nas décadas anteriores”. No próximo mês, não haverá nem ciclos temáticos nem de autor.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 24 de Abril de 2013 às 20:14
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O despacho de Vítor Gaspar, que congelava a maioria das despesas do Estado, foi ontem revogado. Terá, contudo, efeitos na Cinemateca durante o mês de Maio.

 

A Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, organismo que tem como missão a salvaguarda e divulgação do património cinematográfico, vai ter um mês de Maio diferente do habitual porque não teve capacidade para comprar filmes.


A direcção da instituição, liderada por Maria João Seixas, indica, numa nota colocada no site oficial, que a sua programação, nos últimos meses, tem sido “baseada cada vez mais na colecção permanente da instituição”. Esta programação reflecte um “afastamento dos padrões que marcaram a actividade nas décadas anteriores”.

 

Mas, segundo a nota da direcção, o mês de Maio será ainda mais sombrio. Isto porque a Cinemateca já não consegue organizar grandes ciclos temáticos ou de autores, que exigem o recurso a “cópias importadas temporariamente” e a uma legendagem electrónica – esta interrupção da legendagem de alguns filmes já tinha sido tema de um comentário da direcção da Cinemateca em Outubro passado.

 

A incapacidade para adquirir estas cópias oriundas de fontes externas tem dois motivos, segundo a própria entidade. O primeiro é o despacho de Vítor Gaspar, que congelou as despesas até ontem, período em que se preparava na Cinemateca a programação de Maio. Esse documento, cuja revogação foi hoje anunciada com efeitos a partir de ontem, tornou “inviável a directa assunção de compromissos”.

 

Além disso, a quebra da receita geral, resultante do “decréscimo dos proveitos da taxa sobre a publicidade televisiva”, inviabiliza também “quaisquer encargos com aluguer, transporte ou legendagem electrónica de cópias”.

 

Assim, Maio não terá importações a não ser aquelas que já estavam previstas em parcerias já firmadas, que a entidade sob a tutela da secretaria de Estado da Cultura especifica ser apenas com a Federação Luso-Americana. Ou seja, além desta parceria, haverá apenas sessões individuais, com base no material que existe no acervo da Cinemateca, mas não os referidos ciclos temáticos ou de autor.

 

No mesmo dia em que a Cinemateca anunciou esta programação que, segundo a sua direcção a afasta dos padrões de qualidade das décadas anteriores, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier apresentou o programa “Cinema em Movimento”, com o objectivo de promover o cinema português em locais com menor oferta cinematográfica.

 

“Trata-se de fazer chegar o cinema português àqueles que estão normalmente fora do circuito, numa forma de integrar essas populações e dar-lhes as mesmas condições de fruição de bens culturais, neste caso o cinema”, referiu o Secretário de Estado, em declarações aos deputados, durante uma audição da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, citado por uma nota distribuída pelo gabinete de Barreto Xavier.

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