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Governo congratula-se com decisão de Siza Vieira na doação do seu acervo

O Executivo elogiou a decisão do arquitecto de articular a presença da sua obra entre o Centro Canadiano de Arquitectura, a Fundação Serralves e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Negócios com Lusa 23 de Julho de 2014 às 23:51
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"Considera-se que esta é uma solução que serve os interesses nacionais e garante, ao mesmo tempo, a promoção internacional da obra do mais importante arquitecto português da sua geração", sublinha a nota do gabinete do secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, a que o Negócios teve acesso.

 

Recorde-se que o arquitecto Siza Vieira (na foto) anunciou esta quarta-feira a decisão relativa ao seu acervo, tendo optado por doar uma parte a duas instituições portuguesas, Fundação Gulbenkian e Fundação de Serralves, e outra ao Centro Canadiano de Arquitectura.

 

"É meu desejo que o trabalho de tantos anos seja de algum modo útil, como contribuição para o estudo e debate sobre a arquitectura, particularmente em Portugal, numa perspectiva oposta ao isolamento, (como já hoje sucede e é imprescindível) ", pode ler-se num comunicado enviado à agência Lusa.

 

De acordo o arquitecto, a opção passou por doar parte "a duas instituições portuguesas, já com experiência, qualidade e capacidade para desenvolver ou alargar os respectivos arquivos (Fundação Gulbenkian e Fundação de Serralves), numa perspectiva de abertura à consulta, divulgação e participação num debate que já não é simplesmente nacional, nem centrado no individual".

 

Siza Vieira decidiu doar outra parte ao Centro Canadiano de Arquitectura (CCA) em Montreal, "instituição de experiência e prestígio ímpares e com intensa e contínua actividade", que é "reconhecido pela sua experiência na preservação e apresentação de arquivos internacionais".

 

Esta decisão do prémio Pritzker foi conhecida hoje, depois de na semana passada a revista Visão e o jornal Público terem noticiado que o arquivo de Siza Vieira poderia ir para o Centro Canadiano de Arquitectura, em Montreal, o que gerou uma onda de reacções políticas e culturais.

 

No comunicado enviado à Lusa, o arquitecto explica ainda que o CCA vai tratar de "uma grande parte" do arquivo, onde "estará acessível, em conjunto com o trabalho de outros arquitectos modernos e contemporâneos".

 

"Conforme conversações já efectuadas, o CCA estará disponível para colaborar com a Fundação Gulbenkian e a Fundação de Serralves na catalogação consistente do material e na partilha da pesquisa e programação relacionadas", acrescentou.

 

De acordo com Siza Vieira, o vereador da Cultura da Câmara do Porto, Paulo Cunha e Silva, manifestou-lhe a intenção de instalar uma galeria de exposição sobre a arquitectura da cidade, constituída em particular por maquetas. "Comuniquei-lhe o meu apoio a esse propósito, considerando a relevância do projecto para pública informação e debate sobre a arquitectura", enfatizou.

 

O arquitecto premiado explica que nos últimos anos sentiu a necessidade de organizar o arquivo do seu trabalho, procurando "uma solução que considerasse fundamentada", tendo verificado "existir um interesse evidente, por parte de pessoas e instituições".

 

"Desenhos e maquetes do meu arquivo encontram-se já, alguns desde há anos, em Paris (Beaubourg), em Nova Iorque (MOMA) e em Londres (Niall Hobhouse Collection), nos respectivos arquivos de arquitectura", recorda.

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