Banca & Finanças "Lobo de Wall Street" terá sido pago com dinheiro roubado à Malásia

"Lobo de Wall Street" terá sido pago com dinheiro roubado à Malásia

O filme protagonizado por Leonardo DiCaprio está entre as suspeitas das autoridades norte-americanas, que dizem ter indícios de que terá sido financiado indevidamente com dinheiro do fundo soberano 1MDB.
"Lobo de Wall Street" terá sido pago com dinheiro roubado à Malásia
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Paulo Zacarias Gomes 21 de julho de 2016 às 16:33

A produção do filme "O Lobo de Wall Street", protagonizado pelo actor Leonardo DiCaprio, está entre os alvos de investigação das autoridades norte-americanas por suspeita de ter sido financiada com dinheiro público subtraído do fundo soberano da Malásia 1MDB.

As despesas com a película estão entre os activos que o Departamento do Estado colocou sob vigilância no congelamento decretado esta quarta-feira, 20 de Julho, de cerca de mil milhões de dólares (pouco mais de 900 milhões de euros à cotação actual), que inclui também quadros de Monet e Van Gogh, despesas em casinos, e uma propriedade em Beverly Hills, EUA: todos terão sido pagos indevidamente com dinheiro dos contribuintes malaios, contribuindo para o seu branqueamento, sustentam as autoridades norte-americanas.

No total, as autoridades suspeitam que 5,46 mil milhões de euros dos 11,8 mil milhões de capitalização se evaporaram do fundo 1MDB e acabaram a beneficiar pessoas próximas do actual primeiro-ministro do país, Najib Razak. "O Departamento de Justiça não permitirá que o sistema financeiro americano seja usado como meio para a corrupção", afirmou a procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch, citada pelo The Guardian.

Além dos EUA, correm investigações relacionadas com o 1MDB na Suíça, Luxemburgo e Singapura. Nesta cidade-estado, as autoridades decretaram esta quinta-feira, 21 de Julho, o congelamento de 160,45 milhões de euros em activos ligados ao fundo estatal por alegadas práticas de branqueamento de capitais que terão sido possíveis pela deficiente monitorização da actividade de três grandes bancos internacionais no território.

Em causa estão problemas detectados no acompanhamento da actividade do banco suíço UBS, do britânico Standard Chartered e do DBS Group Holdings Ltd, nomeadamente falhas no acompanhamento do processo de entrada de novos clientes e das suas transacções que permitiram a passagem por aquelas instituições de fluxos monetários ligados ao fundo estatal, disse a Autoridade Monetária de Singapura (MAS na sigla inglesa) em comunicado citado pela Reuters.

O procurador da Malásia, Mohamed Apandi, garantiu entretanto esta quinta-feira em comunicado que não há qualquer prova nem acusação criminal, nas investigações feitas a nível internacional, relacionadas com uso indevido de fundos do 1MDB. E manifestou "forte preocupação em relação às insinuações e alegações" feitas em relação ao primeiro-ministro malaio.

Horas depois o próprio primeiro-ministro veio reclamar que a Malásia leva a sério os princípios de boa governação e sublinhou que as investigações em curso não revestem carácter criminal. "E não queremos chegar a conclusões até que o processo esteja concluído. Primeiro é preciso apurar os factos", afirmou, garantindo ainda a total disponibilidade para colaborar com as autoridades.

A oposição já pediu a suspensão de funções do primeiro-ministro e que se explique no parlamento, ameaçando com uma "acção política" caso tal não ocorra. 




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