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Ministério das Finanças "obriga" Cinemateca a cortar nas legendas (act.)

O controlo orçamental do ministério das Finanças levou a Cinemateca a interromper "algumas aquisições de serviços normalmente associadas" à sua actividade. Entra elas a legendagem electrónica de alguns dos filmes exibidos. Secretaria de Estado da Cultura garante que organismos por si tutelados "não são, obviamente, excepção" à contenção orçamental.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 08 de Outubro de 2012 às 17:50
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A Cinemateca Portuguesa vai exibir alguns filmes estrangeiros, entre os quais espanhóis e italianos, sem qualquer legendagem. O controlo orçamental a que o Ministério das Finanças obriga é a justificação do organismo sob a tutela de Francisco José Viegas.

Numa nota disponível no portal oficial, a direcção da Cinemateca, liderada por Maria João Seixas, salienta que 13 cópias serão exibidas, ao longo de Outubro, sem a legenda electrónica habitual, ao contrário do que tinha sido programado.

O organismo indica que as medidas de “controlo orçamental” obrigaram o organismo cultural a “interromper algumas aquisições de serviços normalmente associadas às actividades”. A legendagem electrónica está entre esses serviços.

A Cinemateca refere-se ao despacho das Finanças de 13 de Setembro do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que impede as entidades públicas reclassificadas de poderem assumir "novos compromissos de despesas relativos a aquisição de um conjunto de bens e serviços e investimentos sem autorização prévia do Ministério das Finanças".

Filmes em italiano como "Le Legioni di Cleópatra", de Vittorio Cottafavi, ou em língua espanhola, como "Los Muertos", de Lisandro Alonso, vão ser transmitidos na língua original, sem espaço para legenda em português. Poderá haver, contudo, legendagem em outras línguas.

O congelamento das legendas em alguns dos filmes transmitidos pela Cinemetaca vai acontecer, “a não ser que a autorização para a contratação desse serviço seja concedida e comunicada [ao organismo], em tempo útil, pelo Ministério das Finanças”, acrescenta a direcção de Maria João Seixas. A Cinemateca fez o pedido para a contratação à tutela, a Secretaria de Estado da Cultura.

Organismos tutelados pela Cultura "não são excepção" a cortes


Em resposta por e-mail ao Negócios, a Secretaria de Estado garante que os organismos sob a sua tutela "não são, obviamente, excepção às medidas temporárias que visam adequar os recursos disponíveis às necessidades mais prementes, ao nível da despesa do Estado".

"Cabe aos responsáveis dos diferentes organismos adoptarem as medidas de gestão corrente mais indicadas, de forma a minorar os efeitos a curto prazo dessas medidas, garantindo da melhor forma a eficácia dos serviços prestados e o cumprimento do interesse público", acrescentou o gabinete de comunicação de Francisco José Viegas.

O Negócios tentou contactar a direcção da Cinemateca mas foi remetido para as declarações prestadas por Maria João Seixas à agência Lusa. "A nossa função é dar a ver a história do cinema de todo o mundo e isso está em risco. Está tudo muito confuso", declarou, salientando que "é espectável que haja uma quebra de espectadores", não fechando portas a outras medidas de contenção.

(Notícia actualizada às 18h05 com resposta da Secretaria de Estado da Cultura e com declarações de Maria João Seixas à Lusa)



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