Cultura Morreu o historiador Vasco Pulido Valente

Morreu o historiador Vasco Pulido Valente

O escritor e historiador tinha 78 anos e morreu esta sexta-feira no hospital. Era conhecido pelo seu estilo cáustico e mordaz.
Morreu o historiador Vasco Pulido Valente
Alexandre Azevedo
Sábado 21 de fevereiro de 2020 às 16:49
O escritor e historiador tinha 78 anos e morreu esta sexta-feira no hospital, avança o jornal Público, citando fonte familiar. Era conhecido pelo seu estilo cáustico e mordaz e por criticar tanto os adversários como aqueles que partilhavam as suas cores políticas. Colaborou com o jornal Público, Expresso, Diário de Notícias, A Tarde, O Independente, a revista Kapa e mais recentemente com o jornal Observador.

Foi um lutador contra o salazarismo ainda durante a faculdade e fugiu da guerra através de cunha - o neto do professor Francisco Pulido Valente não podia ir combater no Ultramar. No pós 25 de Abril foi um convicto soarista e, há poucos meses, já depois da morte de Mário Soares, saiu uma entrevista onde afirmava mesmo que tinha sido "a grande figura portuguesa desde as invasões francesas".

Passou pelo Parlamento, mas sobre essa passagem não guarda boas memórias - "Eu fui para lá e senti-me envergonhado durante os três meses que lá estive. Aquilo era uma ociosidade organizada" - 

Nascido Vasco Guedes Correia, cedo adoptou o nome de família do avô, um dos mais conceituados intelectuais da época. Surgia assim uma das siglas mais temidas da imprensa portuguesa: VPV. Durante anos mostrou-se crítico de grande parte dos decisores públicos e céptico de várias das medidas que foram implementadas em Portugal. Colou-se-lhe o epíteto de ser pessimista, mas o próprio tinha uma leitura muito distinta sobre si próprio. "Houve algumas grandes mudanças que as pessoas não estão a tomar em conta quando falam de política. Para mim, que tinha 32 anos quando foi o 25 de Abril, a sociedade portuguesa, como está hoje – e costumam dizer de mim que sou um pessimista, não sou nada um pessimista – é um milagre. Ninguém em Portugal, quando eu tinha 20, 25 anos, conseguia imaginar sequer que pudéssemos um dia viver numa sociedade democrática – com desigualdades de vária ordem, é verdade –, mas liberta da pobreza horrível daquele tempo. Os progressos que fizemos são enormes, não há nenhuma possibilidade de ser pessimista."

Relembre a entrevista feita ao historiador em 2018, depois da publicação de Do Fundo da Gaveta, onde admitia que Passos Coelho "foi uma das pessoas mais vilificadas na política portuguesa, o que é absolutamente impensável" e onde assumia não acreditar no discurso do "virar a página da austeridade". E onde se mostrou muito crítico de Marcelo - "Marcelo tira selfies e dá beijinhos a toda gente, por amor de Deus...":



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