Cultura Patrick Drahi enfrenta primeiro teste com início de leilões da Sotheby’s

Patrick Drahi enfrenta primeiro teste com início de leilões da Sotheby’s

Na manhã em que o bilionário francês Patrick Drahi assumiu o controlo da Sotheby’s, o empresário enviou um email aos funcionários da casa de leilões, fundada há 275 anos, com uma mensagem de estabilidade.
Patrick Drahi enfrenta primeiro teste com início de leilões da Sotheby’s
Bloomberg 09 de novembro de 2019 às 19:00

"Com a minha família, estamos muito honrados e orgulhosos em assumir o controlo da Sotheby’s no longo prazo", salientou Drahi numa mensagem de 3 de outubro. "Vocês têm o meu total comprometimento e competência enquanto procuramos engrandecer a Sotheby’s pelos próximos 275 anos e além."

 

No dia anterior, Drahi havia dito a uma plateia de funcionários na sala de leilões do sétimo andar, na sede da empresa em Nova Iorque, que estavam a caminho cortes de custos significativos. No entanto, esses cortes não incluíam despedimentos, segundo duas pessoas que estiveram na reunião.

 

O clima de continuidade também ficou evidente na sua proposta a financiadores para a compra da casa de leilões, que foram informados sobre o plano do executivo de "manter a estratégia atual e de bom desempenho dos negócios".

 

A estratégia não tem o perfil de Patrick Drahi, que acumulou fortuna com aquisições alavancadas de empresas de comunicações em risco, impondo cortes profundos de custos, demissões, venda de ativos e estruturas complicadas de empréstimos, tudo com a nomeação de soldados de confiança para cargos importantes. O anúncio de que Charles Stewart se tornaria presidente da Sotheby’s é um excelente exemplo da última tática, dado o seu papel como diretor financeiro da Altice USA, uma empresa de telecomunicações controlada por Drahi.

 

Enquanto a Sotheby’s se prepara para iniciar os seus leilões de novembro com a venda de obras impressionistas e modernas, que incluem a "A Ponte de Charing Cross", de Claude Monet, o seu novo proprietário enfrenta um teste importante. A empresa espera que as vendas do mês mostrem uma queda de 25% na comparação anual. Isto pode significar ter de apertar os cintos. Mas, para que a empresa prospere a longo prazo, Drahi talvez precise de manter a promessa aos funcionários e procurar um manual diferente do usado por ele para construir o seu império.

 

"É óbvio que você não gere uma casa de leilões da mesma maneira que gere uma operadora de telecomunicações", afirmou Frederic Ichay, advogado de fusões e aquisições de tecnologia e telecomunicações em Paris. Por exemplo, reduzir a equipa para metade seria impensável, disse. "Casas de leilões normalmente levam anos para estabelecer vínculos duradouros com famílias com obras de arte para vender e potenciais famílias compradoras. Este é o coração do negócio."

 

Porta-vozes da Sotheby’s e de Drahi não quiseram comentar.

 

Embora o magnata franco-israelita, de 56 anos, tenha transformado um empréstimo estudantil de 9 mil dólares numa fortuna de 12 mil milhões de dólares ao longo da carreira, o empresário nunca teve uma forte presença no mundo da arte; portanto, a sua incursão na Sotheby’s apanhou a comunidade de surpresa. Além de oferecer uma maneira de garantir o seu legado, a compra ajudará a diversificar a fortuna de Drahi dos ativos de comunicação, que dominam as suas participações.

 

(Texto original: Billionaire’s Light-Touch Approach at Sotheby’s Faces First Test)




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